02 September 2008

(2007) Hostel: Part II


Paxton, o único sobrevivente de "Hostel", consegue regressar aos E.U.A., mas vive assombrado pelo medo de ser perseguido e morto pelo clube Elite Hunting, tendo-se recusado inclusivamente a contar à mãe de Josh, o seu melhor amigo falecido na Eslováquia, o paradeiro do seu filho. Os seus receios acabam por se tornar uma realidade ao ser decapitado quando se encontrava em casa da sua namorada. A sua cabeça é entregue ao líder do clube de caça como uma espécie de troféu.

Entretanto, Beth, Whitney e Lorna, três amigas universitárias norte-americanas que se encontram a estudar em Roma, estão de malas feitas em direcção a Praga para disfrutarem de uns dias de algum divertimento. Numa aula de desenho, travam conhecimento com uma das modelos chamada Axelle, reencontrando-a na viagem de comboio para Praga. Esta ganha a confiança do grupo de amigas ao recuperar o iPod que havia sido roubado a Lorna já no interior do comboio, convencendo-as de seguida a acompanhá-la numa curta viagem aos arredores de Bratislava, capital da Eslováquia. As amigas aceitam a sugestão de ficarem uns dias numa pequena e acolhedora vila onde terão a possibilidade de se hospedarem num hostel com acesso aos melhores spas de nascentes de água quente natural de toda a Europa.

Após a chegada das três amigas, os seus passaportes dão entrada no sistema informático do Elite Hunting e dá-se início aos leilões pelo direito de "brincar" com elas. Dois amigos norte-americanos, Stuart e Todd vencem os dois leilões referentes a Beth e Whitney, partindo de imediato em direcção à Eslováquia. Todd demonstra um entusiasmo imenso pela oportunidade que se avizinha, enquanto que Stuart está bastante renitente em assumir a responsabilidade de participar no tipo de divertimento proporcionado pelo clube de caça. Durante um festival local, Lorna abandona a festa com um estranho e desaparece sem deixar qualquer aviso quanto ao seu paradeiro. Logo na manhã seguinte, Beth e Whitney são levadas para o armazém industrial onde toda a "acção" decorre. Mais um conjunto de amigos satisfeitos com umas férias inesquecíveis...

"Hostel, Part II" é apenas a terceira longa-metragem do realizador Eli Roth, que desempenhou o duplo papel de argumentista tal como no seu antecessor, "Hostel". Infelizmente, os erros cometidos ao nível da escrita e direcção no primeiro filme voltaram a marcar presença nesta sequela. Foi agradável constatar o esforço em fornecer mais alguns dados relativamente ao clube de caça, nomeadamente a forma de funcionamento dos leilões (mostrada numa cena que tentou ser cómica, mas que acabou apenas por ser mais uma desenquadrada do ambiente do filme). Outro ponto positivo foi o grau manifestamente inferior de cenas de nudez e relações sexuais, mas também deverá ser dito que se trata de uma consequência directa da mudança de contexto humano (um grupo de raparigas em busca de descanso ao invés de um grupo de rapazes em busca de sexo e drogas).

A estória mantém-se como uma série de acontecimentos interligados de uma forma pouco fluída e algo atabalhoada. Insistiu-se novamente na inclusão de cenas que ultrapassam a linha que divive o credível e o ridículo. O expoente máximo é, sem qualquer dúvida, a cena com a qual termina o filme. No fundo, mais uma tentativa de induzir um pequeno riso na audiência, mas não nos esqueçamos que se deveria tratar de um filme de terror com uma premissa algo assustadora. No entanto, devo referir a que considero ser a melhor cena deste filme. A chegada de Stuart e Todd ao armazém onde se encontram as suas vítimas é muito bem conseguida através da eliminação total do som ambiente, sendo substituído por uma música que tem o dom de reflectir a dicotomia de abordagens bem patente nos dois amigos em relação ao que vai acontecer.

Em relação ao elenco, os principais intervenientes cumpriram com os seus papéis. Embora se tenha verificado um tom de superficialidade na interação entre as personagens, a evolução do estado mental de Beth (Lauren German), Stuart (Roger Bart) e Todd (Richard Burgi) foi algo agradável. No caso de Beth, é demonstrado como o instinto de sobrevivência inerente ao ser humano pode alterar a disposição de uma pessoa e a sua abordagem para com aqueles que colocam em causa o seu bem estar. Quanto a Stuart e Todd, estes representam a clássica dicotomia entre o elemento reservado/receoso e o elemento pomposo/corajoso de uma amizade. No momento de enfrentarem desafios à sua própria existência enquanto seres humanos que fazem parte de uma sociedade, os papéis invertem-se e, após a eliminação do recalcamento emocional, o lado negro do elemento reservado da amizade surge em todo o seu esplendor mórbido.

Como já tinha dado a entender, a quantidade de cenas com o factor tits 'n' ass descresceu relativamente a "Hostel", mas a sua qualidade manteve-se acima da média, sendo Vera Jordanova (Axelle) o seu ponto alto. Embora não tenham mostrado os seus atributos físicos de uma forma explícita, Lauren German (Beth) e Bijou Phillips (Whitney) não passam de todo despercebidas.

A cotação inferior deste filme, comparativamente ao seu antecessor, não significa que seja pior, mas deve-se, acima de tudo, ao facto de ter sido desperdiçada a oportunidade de corrigir os imensos erros anteriormente cometidos. O realizador optou por seguir o mesmo caminho quando outros estavam à sua disposição. O relacionamento emocional com os heróis da estória foi novamente dificultado, apesar de se terem verificado algumas mudanças bem vindas na evolução psicológica de um conjunto específico das personagens principais.

Relembro que caso estejam interessados em experimentar a gama de serviços apresentada nestes dois filmes, basta enviar um e-mail para o endereço blatanikov@gang.rus

What we do today is gonna pay off every day for the rest of our fucking lives!

Pontuação global: 5,2

14 August 2008

A prepotência dos pseudo-intelectuais

Decidi consultar hoje a secção do site do Público dedicada ao cinema com o intuito de saber os horários das sessões do filme "Wall.E", que tenciono ver assim que for possível. Num momento de curiosidade mórbida, dei uma vista de olhos à secção que contém as críticas dos críticos residentes do jornal O Público. Nunca escondi de ninguém o meu desacordo total com as opiniões manifestadas por estes críticos e pela forma como estas são construídas e apresentadas, mas hoje deparei-me com o que entendo ser a maximização da degradação intelectual de um dos seus elementos, o Sr. Luís Miguel Oliveira.

Tive a oportunidade de ler a "crítica" ao filme "The Dark Knight". Foi escrita no dia 24/07/2008 e embora vá transcrever o seu conteúdo e comentá-lo por segmentos, deixo de seguida o respectivo link:

http://cinecartaz.publico.clix.pt/criticas.asp?c=4585&id=204254&Crid=1

Pesadão e insosso, pelo menos tanto quanto o precedente episódio, se alguma utilidade este "Batman" tem é a de confirmar que Christopher Nolan, tirem-lhe os "truques" (a irritante "história ao contrário" de "Memento" ou a bem aproveitada "noite branca" do Alasca em "Insónia", o seu melhor filme), é um realizador fundamentalmente indistinto e académico.

Acredita verdadeiramente que o Christopher Nolan é um realizador "fundamentalmente indistinto e académico"? Será que tem a mínima consciência do que afirmou? No contexto específico do universo do Batman, teria sido melhor caso tivesse permanecido no ambiente colorido e exagerado que pautou todos os filmes que antecederam "Batman Begins"? Nolan assumiu desde cedo a sua abordagem a este super-herói: estamos perante um homem perturbado e bilionário que usa o dinheiro ao seu dispôr para se vestir de morcego e combater o crime da cidade em que habita. Isto é enquadrável no mundo em que vivemos! É palpável!

Um efeito down to earth tirou a figura mítica Batman de um plano existencial superior ao nosso e inseriu-a no nível em que os comuns mortais se encontram e de uma forma rude e visceral. E conseguiu fazê-lo de uma forma brilhante e unanimemente reconhecida pela crítica. Sim, a verdadeira crítica que se dedica ao estudo da Sétima Arte e que, ao expressar a sua opinião, fá-lo de forma sustentada com base em argumentos válidos com os quais podemos ou não concordar, mas que forçosamente teremos que aceitar dada a sua natureza coerente e lógica.


Não há uma única cena que fique na retina (pudera: o argumento é tão complicado que nem há tempo para respirar, quase todas as cenas são explicativas e parece que só existem para justicar a cena seguinte, num interminável processo de constante adiamento - perguntamo-nos no fim se o filme chegou a começar) e passa-se pelas boas ideias como cão por vinha vindimada (o décor urbano realista e diurno, desperdiçado de maneira, pelo menos num ou dois planos, bastante frustrante).

Era precisamente suposto não termos tempo para respirar. A ideia era transmitir ao espectador (com as devidas limitações) a sequência alucinante de acontecimentos que marcam a estória relatada. Encare o filme como um metrónomo cujo ritmo foi imposto pela personagem do falecido Heath Ledger. O Joker é um ser imprevisível que faz as várias engrenagens que sustentam o mundo que o rodeia girarem a uma velocidade imprevisível e desconfortável.

Por que é que achou o argumento complicado? Por que é que achou que "quase todas as cenas são explicativas e parece que só existem para justificar a cena seguinte"? Percebe onde quero chegar com esta linha de raciocínio? É extremamente fácil apontar o dedo (sempre foi e sempre será), mas justificar o porquê de se fazerem determinadas afirmações só está ao alcance daqueles que sabem conviver com os seus iguais em sociedade.

Se tivesse prestado um pouco mais de atenção a este filme e ao seu antecessor, poderia ter reparado numa progressão intencional entre o ambiente estabelecido em "Batman Begins" e aquele que nos é apresentado nesta nova etapa. Não houve qualquer desperdício, mas sim um tremendo aproveitamento das cenas outdoors como nunca antes se tinha visto num filme deste género. Para mais, não percebo a sua insistência em articular as frases como se estivesse a escrever um telegrama.


Salva-se deste pastelão Heath Ledger: podem dizer estamos influenciados e predispostos a achá-lo porque o rapaz morreu, mas é um facto que o seu Joker é muito bom. Pena ter à volta um filme tão mau.

Soube identificar o ponto alto do filme: Heath "The Joker" Ledger. Os meus parabéns. Agora etiquetar o filme de "tão mau" só demonstra que tem algum tipo de ódio pessoal a algo relativo a este filme... ou mais ainda. Vou reformular esta pequena dúvida sob a forma de uma pergunta de escolha múltipla:

O Sr. Luís Miguel Oliveira odeia:
[ ] A personagem Batman e, consequentemente, todo o seu
        universo
[ ] O realizador Christopher Nolan, motivado por pura inveja
        do seu tremendo talento e sucesso
[ ] O cinema em geral, dado que não trabalha na indústria
        do cinema por culpa do resto do mundo
[ ] All of the above

Sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão, mas fico um pouco irritado quando indivíduos da nossa sociedade fazem um uso indevido de um direito que não podemos considerar como adquirido e pelo qual os nossos antepassados lutaram arduamente.

Perante as acusações (e alguns ataques pessoais) que ficaram para trás, passo a estabelecer as bases que me levaram a escrever este post. A diferença fundamental entre os snobs residentes deste blog e os pseudo-especialistas em cinema d'O Público é que nós assumimos abertamente que somos amadores e escrevemos o que queremos. Gostamos de cinema o suficiente para deixarmos as nossas opiniões escritas. Não temos uma obrigação perante a sociedade de estarmos a fazer o que se classificaria de "um bom trabalho", pois não somos expostos às pessoas; são elas que decidem se querem ou não ler aquilo que aqui escrevemos, dado que as nossas opiniões têm o valor que lhes for dado e apenas as próprias pessoas terão a capacidade de ajuizar acerca dos méritos ou deméritos de um filme.

Mas pessoas como o Sr. Luís Miguel Oliveira são remuneradas para providenciar um serviço aos seus leitores. Pegando no exemplo deste filme, ao serem redigidas críticas como o belo exemplar que acabei de dissecar, apenas estão a demonstrar o quão ridículos são e, mais grave que isso, estão pura e simplesmente a dar origem a uma onda de contra-informação relativamente à qualidade dos filmes que vão passando pelas salas de cinema nacionais. Se um dos snobs escrever uma crítica má acerca de um filme, não vai afectar ninguém. Mas se escrevêssemos para um jornal, a conversa mudaria obviamente de tom, pois estaríamos a expôr a nossa opinião perante um conjunto considerável de leitores que poderiam optar por se basearem única e exclusivamente no que havia sido escrito para decidir se um filme seria ou não interessante o suficiente para merecer um investimento monetário num bilhete de cinema, um aluguer num clube de vídeo ou a compra do filme em DVD.

Um dos exemplos que não me canso de referir é o "Fight Club". Eu e o snob fnunes já falámos em diversas ocasiões sobre este filme. Eu considero-o uma obra de arte e um dos melhores filmes de sempre, enquanto que o fnunes simplesmente detestou o filme! No entanto, fomos capazes de apresentar argumentos lógicos para sustentar as nossas opiniões divergentes! Não se pode simplesmente lançar um chorrilho de acusações sem qualquer tipo de justificação, por muito ténue que esta seja. Pessoalmente, apelido esse tipo de atitudes de pura cobardia.

Ao ter lido algumas críticas do Sr. Luís Miguel Oliveira num passado algo longínquo, apercebo-me rapidamente que continua a recorrer à mesma abordagem na interpretação dos filmes que visiona, que é aquela tipicamente associada a quem leva uma existência frustrada por "não estar do outro lado das trincheiras", se me permitem a expressão. Estarei a catalogá-lo facilmente num dos estereótipos mais fortes da indústria cinematográfica? Talvez esteja, sim. Mas faço-o com devido fundamento, pois quem não é capaz de admitir que gostou de qualquer filme que seja, não pode ser outra coisa que não um film school reject.

PS: um grande obrigado ao fnunes por ter contribuído decisivamente para o texto que acabaram de ler.

PS2: em jeito de birrinha pela inconsideração que o jornal O Público teima em demonstrar pelos seus leitores ao permitir que pessoas como o Sr. Luís Miguel Oliveira tenham um espaço fixo de opinião, na qualidade de fundador deste blog irei retirar permanentemente da secção Snobbish Links a ligação para o Cine Cartaz.

10 August 2008

(2005) Hostel


Paxton e Josh, dois amigos universitários norte-americanos, viajam pela Europa como backpackers, conhecendo em Paris um outro jovem que se junta ao grupo, o islandês Oli. Para os jovens estudantes, esta é uma oportunidade única de terem umas férias recheadas de sexo, drogas e experiências que nunca esquecerão. Tendo começado em França e passado por Suíça e Bélgica, chegam à bela cidade de Amesterdão, hospedam-se num hostel e dirigem-se de imediato para o famoso Red Light District para uma longa noite de diversão. Ao regressarem ao hostel, deparam-se com a porta fechada e reparam que não cumpriram a hora de recolher obrigatório em vigor. Dada uma pequena revolta popular na rua onde se encontram devido ao barulho que estão a fazer, e perante as sirenes da polícia cada vez mais próximas, decidem fugir em direcçao ao apartamento de um jovem chamado Alexei que lhes acena da janela.

Paxton e Josh contam a Alexei o plano de irem para Barcelona com Oli, dado que este tem alojamento grátis na cidade e conhecimentos do sexo oposto interessantes. Perante isto, Alexei sugere uma visita a um hostel nos arredores de Bratislava, capital da Eslováquia. O chamariz lançado é que as raparigas que por lá andam são das mais bonitas e promíscuas da Europa, e adoram rapazes de nacionalidade americana. Como seria de esperar, o grupo de aventureiros aceita a sugestão e segue viagem em direcção ao mítico hostel. Ao chegarem ao destino pretendido, deparam-se com uma vila calma e bonita e, acima de tudo, o hostel supera o que lhes havia sido prometido. Logo após a sua chegada, conhecem Natalya, Svetlana e Vala, três jovens atraentes que prontamente se oferecem para lhes mostrar a vila e outras facetas da vida naquele local.

Após a primeira noite de festa, Oli desaparece em circunstâncias misteriosas, não deixando qualquer aviso quanto ao seu paradeiro. Paxton e Josh tentam contactá-lo por telefone, mas sem sucesso. Com o passar das horas, começam-se a aperceber que algo de errado se passa naquele local. Longe estavam estes jovens de saberem que tinham acabado de cair na alçada de um clube conhecido como Elite Hunting, especializado em oferecer a pessoas de posses financeiras elevadas a possibilidade de assassinarem seres humanos, sendo-lhes dada liberdade total na escolha do percurso a adoptar para atingir o objectivo pretendido. De facto, umas férias inesquecíveis...

"Hostel" é a segunda longa-metragem do jovem realizador Eli Roth, que foi também o autor do argumento. Embora o conceito subjacente à estória seja interessante, foram cometidos demasiados erros (ao nível da escrita e direcção) que levaram o filme a assumir um rumo que defraudou as expectativas lançadas no início da sua promoção. Este filme foi classificado de porno gorefest por muitas pessoas e concordo em parte com a questão do sexo. Um componente vital da estória é a utilização do sexo fácil para atrair os jovens até ao hostel e teriam que ser mostrados alguns dos processos pelos quais estes últimos seriam "pescados", mas o constante bombardeamento com cenas de nudez e relações sexuais acaba por dar um aspecto "barato" ao filme. Nem sempre é preciso mostrar tudo para se fazer passar uma mensagem ou uma ideia.

A estória aparenta ser uma manta de retalhos que é unida consoante o conteúdo das cenas e não é capaz de transmitir uma sensação de fluidez ou continuidade. Algumas das cenas incluídas ultrapassam a linha divisória entre o minimamente credível e o ridículo. Sempre me disseram que não se deve brincar com moto-serras, mas um acidente como o ilustrado numa cena específica pareceu-me overkill. Ficou mesmo a sensação que o objectivo da cena seria induzir um pequeno riso nos espectadores, embora se trate supostamente de um filme de terror... Não era de todo necessário entrar no campo do ridículo para tornar o filme visceral.

Em relação ao elenco, os principais intervenientes cumpriram o que lhes foi pedido. A interacção entre as personagens foi superficial e, perante a ausência de diálogos consistentes, os actores em questão não tiveram ao ser dispôr um suporte escrito que pudesse servir de rampa de lançamento para um conjunto de actuações agradável ou minimamente credível. Para os amantes de slasher flicks, e como já tinha deixado a entender, a quantidade de tits 'n' ass é generosa e a sua qualidade acima da média, sendo Barbara Nedeljakova (Natalya) o seu ponto alto.

Em suma, o filme poderia ter oferecido outro tipo de conteúdo mais adequado ao que se propunha ser. O desenvolvimento das principais personagens foi claramente posto de parte em detrimento de uma sequência interminável de cenas de nudez e sexo. Isto impossibilitou qualquer tipo de relacionamento emocional com o que supostamente seriam os heróis da estória. Cheguei mesmo a desejar que sofressem até não poderem mais, dado o comportamento arrogante que sempre demonstraram desde o início.

Como nota, caso estejam interessados em experimentar a gama de serviços apresentada neste filme, bastará enviar um e-mail para o endereço blatanikov@gang.rus

I always wanted to be a surgeon.

Pontuação global: 5,9

18 May 2008

(2007) War


Dois agentes especiais do FBI, Jack Crawford e Tom Lone, procuram um assassino profissional conhecido como Rogue e que actualmente trabalha para a Yakuza (máfia japonesa), tendo sido no passado um dos melhores assassinos nos quadros da CIA. Durante uma pequena batalha num cais entre Rogue e um grupo de indivíduos pertencentes à Triade (máfia chinesa), Tom atinge Rogue na face com um disparo quanto este se preparava para matar Jack. Rogue cai à água, o que impede Jack e Tom de terem a oportunidade de se certificarem da sua morte. Dias mais tarde, Tom e a sua família (esposa e filha) são assassinados por Rogue, aparentemente numa medida de retaliação pela intervenção dos agentes na "transacção" que decorria no cais. Jack fica obcecado com a captura de Rogue e dedica todos os seus esforços nesse sentido, pondo de parte a sua própria família.

Três anos após a morte do seu parceiro, Jack atravessa uma fase complicada a nível pessoal, estando divorciado da sua esposa e sem a custódia do seu filho, quando subitamente se depara com provas do reaparecimento de Rogue. Um massacre num clube da Yakuza parece ter sido levado a cabo por este último devido à presença de balas de titânio no local do crime, o tipo exclusivo de balas que Rogue utiliza e que é considerada a assinatura pessoal. A peça que não encaixa no puzzle é o facto de ter morto elementos da Yakuza quando deveria estar a trabalhar para esta organização, sendo levantada a hipótese de estar agora a mando da Triade.

Dá-se início a uma guerra sangrenta entre as duas facções mafiosas em plenas ruas de San Francisco, sendo Rogue o epicentro das várias movimentações de bastidores que estão na base destes confrontos. Entretanto, todas as pessoas associadas de alguma forma a Rogue (um fabricante de balas e dois cirurgiões plásticos responsáveis pela sua reconstrução facial com uma periodicidade de 6 meses) começam a aparecer mortas, o que leva Jack a estar mais determinado do que nunca em capturar o mítico assassino. Para isso, lidera uma equipa de agentes com o objectivo de pôr um fim à existência de Rogue e, se possível, abrandar a expansão das duas organizações mafiosas envolvidas. No entanto, nem todos os intervenientes nesta situação são aquilo que aparentam e muitas surpresas estão reservadas.

"War" é a primeira experiência de Philip G. Atwell na realização de longas metragens e dos argumentistas Lee Anthony Smith e Gregory J. Bradley. A inexperiência destes estreantes transparece claramente no decurso do filme. Penso que o elenco foi consistente quanto baste e ajudou a disfarçar um pouco as várias lacunas da estória. Todavia, tenho que referir os sucessivos plot twists incorporados na fase final do filme. É sempre uma jogada perigosa, dada a consistência que se exige para que este género de construção num argumento resulte em pleno. Desta feita, pareceu-me desnecessário e mal conseguido. As cenas de acção foram relativamente bem coordenadas e encenadas, embora o seu encadeamento seja discutível no sentido de aumentar a tensão para a parte final da estória onde são feitas as já referidas revelações. Eu diria mesmo que a inclusão de algumas delas chega a ser discutível e em nada contribui para o desenrolar da estória, mas como se trata de um filme de acção...

No que diz respeito ao elenco, refiro as duas personagens principais cujo desempenho esteve a cargo de Jason Statham (Jack Crawford) e Jet Li (Rogue), dois actores com um vasto currículo em filmes de acção e que provaram novamente que são muito consistentes no que fazem, tanto na vertente artística como na vertente mais física. São dois homens em excelente forma física que gostam de correr riscos nas cenas que em participam. Num plano um pouco mais secundário, faço também uma referência a dois papéis muito bem entregues a Luis Guzmán (Benny), um agente da Interpol infiltrado no submundo do crime que fornece a Jack informações relativas a Rogue, e Ryo Ishibashi (Shiro Yanagawa), o chefe máximo da Yakuza. O primeiro é um actor versátil que se destaca pela sua capacidade de levar a cabo papéis muito diferentes de uma forma deveras particular, enquanto que o segundo é um veterano do cinema asiático que desempenha o principal papel num dos meus filmes de terror favoritos, "Ôdishon".

O filme fornece ao espectador alguns bons momentos de acção (tiros, pancadaria e perseguições) e mantém um ritmo aceitável, apesar de algumas lacunas na construção da estória e no desenvolvimento das principais personagens. Ajudado por algumas actuações consistentes no contexto do filme que se trata, é uma boa forma de ocupar algum período morto que possa surgir na agenda pessoal.

Hi... I'm a cop. What happened here? Know what I do when I'm not a cop? I play doctor. If I don't get this shrapnel out... it will get infected. I got it. No, it's a bone. Sorry. You want me to go back to my day job... give me something to do!

Pontuação global: 5,7

12 May 2008

(2007) Hitman


Um grupo conhecido apenas como The Organization tem como único objectivo o treino e condicionamento de assassinos profissionais. Não existem provas da sua existência dado todo o secretismo em seu torno, embora haja indícios de ligações com a maioria dos governos mundiais. Os futuros assassinos são seleccionados logo à nascença, com bebés rejeitados e órfãos a serem privilegiados devido ao seu estatuto de indesejados pela sociedade e "descartáveis". Tornam-se especialistas em todos os aspectos da arte de combater e apenas são programados para uma tarefa: matar.

O Inspector Mike Whittier e o adjunto Jenkins, agentes da Interpol, perseguem um indivíduo que crêem ser responsável por centenas de assassinatos profissionais um pouco por todo o mundo. Considerado como o melhor assassino formado pela The Organization, o Agente 47 aceita a tarefa de matar Mikhail Belicoff, o actual presidente da Rússia. Uma súbita mudança na sua orientação política, com uma consequente aproximação ao Ocidente, é do total desagrado de um cliente anónimo que afirma controlar o governo russo e receia perder essa posição face às acções de Belicoff.

Cumprindo a sua missão, o Agente 47 vê-se subitamente no meio de uma conspiração política que o torna num alvo a abater perante o seu envolvimento directo na morte de Belicoff. Uma jovem prostituta chamada Nika Boronina, que é propriedade de Belicoff, é apontada como uma suposta testemunha dos actos do Agente 47 e torna-se um peão no jogo político que se desenrola. Perseguido pela Interpol, pela FSP (polícia secreta russa) e por assassinos da sua organização, o Agente 47 acaba por assumir a responsabilidade pessoal de zelar pelo bem estar de Nika e executa um plano para descobrir a verdade por detrás de Belicoff, o epicentro de toda a conspiração.

"Hitman" é a mais recente adaptação de um jogo de computador ao grande ecrã, tendo sido levada a cabo por Xavier Gens. Esta é apenas a sua segunda longa-metragem, com a sua estreia a ter sido através do interessante Frontière(s). O seu trabalho enquanto realizador é aceitável, com uma ou outra sequência de acção (pequeno destaque para a batalha na estação de comboios) a ser bem conseguida. No entanto, permitiu a inclusão de cenas demasiado artificiais ao nível das actuações dos seus intervenientes. A tecnologia actual permite fazer mais que um take, segundo ouvi dizer... O argumento é fraco e embora haja a tentação em afirmar que não se podia esperar muito mais da adaptação de um jogo cujo objectivo é matar pessoas, a verdade é que a estória original tem alguns elementos interessantes que foram completamente descartados. Creio que se tivessem sido minimamente desenvolvidos e introduzidos no argumento, poderiam ter dado um toque de consistência e um outro ambiente ao filme.

O desempenho global do elenco esteve abaixo de aceitável. Timothy Olyphant (Agente 47) não foi capaz de transmitir na totalidade a aura da personagem que os fãs dos jogos esperavam. A responsabilidade terá que ser repartida entre uma aparente má escolha para o papel e um mau argumento que terá levado Timothy a seguir uma abordagem errada à personagem. Olga Kurylenko (Nika Boronina) não parece ter sido capaz de cumprir aquilo que o seu papel requeria. Uma mulher capturada por um assassino profissional dificilmente se comportaria de uma forma tão alegre e aberta. Dougray Scott (Mike Whittier) pareceu-me ter-se esforçado em demasia para dar um aspecto sério à sua personagem.

O filme pode ser abordado de duas perpectivas: quando comparado com o jogo no qual se baseia e enquanto filme por si só. No que diz respeito ao primeiro ponto, a opinião generalizada parece ser a de os únicos elementos em comum com o jogo serem o nome e o facto de a personagem principal ser um homem careca com um código de barras tatuado na nuca. Um claro desvio na forma de ser da personagem é o principal foco de afastamento entre o jogo e o filme.

Quanto ao segundo ponto, um nível insatisfatório de violência e um ritmo demasiado inconstante para um filme que se diz ser de acção, aliado a um argumento incoerente e desconexo, tornam "Hitman" em mais uma prova que a transição com sucesso do mundo dos jogos de vídeo para o cinema é uma tarefa muito complexa. Tem algum valor em termos de entretenimento, mas pouco mais que isso.

Because that suitcase perfectly holds my Blazer Sniper Rifle, two .45s and a gag for irritating, talkative little girls like yourself. You want me to stop and get it out?

Pontuação global: 5,2