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14 August 2008

A prepotência dos pseudo-intelectuais

Decidi consultar hoje a secção do site do Público dedicada ao cinema com o intuito de saber os horários das sessões do filme "Wall.E", que tenciono ver assim que for possível. Num momento de curiosidade mórbida, dei uma vista de olhos à secção que contém as críticas dos críticos residentes do jornal O Público. Nunca escondi de ninguém o meu desacordo total com as opiniões manifestadas por estes críticos e pela forma como estas são construídas e apresentadas, mas hoje deparei-me com o que entendo ser a maximização da degradação intelectual de um dos seus elementos, o Sr. Luís Miguel Oliveira.

Tive a oportunidade de ler a "crítica" ao filme "The Dark Knight". Foi escrita no dia 24/07/2008 e embora vá transcrever o seu conteúdo e comentá-lo por segmentos, deixo de seguida o respectivo link:

http://cinecartaz.publico.clix.pt/criticas.asp?c=4585&id=204254&Crid=1

Pesadão e insosso, pelo menos tanto quanto o precedente episódio, se alguma utilidade este "Batman" tem é a de confirmar que Christopher Nolan, tirem-lhe os "truques" (a irritante "história ao contrário" de "Memento" ou a bem aproveitada "noite branca" do Alasca em "Insónia", o seu melhor filme), é um realizador fundamentalmente indistinto e académico.

Acredita verdadeiramente que o Christopher Nolan é um realizador "fundamentalmente indistinto e académico"? Será que tem a mínima consciência do que afirmou? No contexto específico do universo do Batman, teria sido melhor caso tivesse permanecido no ambiente colorido e exagerado que pautou todos os filmes que antecederam "Batman Begins"? Nolan assumiu desde cedo a sua abordagem a este super-herói: estamos perante um homem perturbado e bilionário que usa o dinheiro ao seu dispôr para se vestir de morcego e combater o crime da cidade em que habita. Isto é enquadrável no mundo em que vivemos! É palpável!

Um efeito down to earth tirou a figura mítica Batman de um plano existencial superior ao nosso e inseriu-a no nível em que os comuns mortais se encontram e de uma forma rude e visceral. E conseguiu fazê-lo de uma forma brilhante e unanimemente reconhecida pela crítica. Sim, a verdadeira crítica que se dedica ao estudo da Sétima Arte e que, ao expressar a sua opinião, fá-lo de forma sustentada com base em argumentos válidos com os quais podemos ou não concordar, mas que forçosamente teremos que aceitar dada a sua natureza coerente e lógica.


Não há uma única cena que fique na retina (pudera: o argumento é tão complicado que nem há tempo para respirar, quase todas as cenas são explicativas e parece que só existem para justicar a cena seguinte, num interminável processo de constante adiamento - perguntamo-nos no fim se o filme chegou a começar) e passa-se pelas boas ideias como cão por vinha vindimada (o décor urbano realista e diurno, desperdiçado de maneira, pelo menos num ou dois planos, bastante frustrante).

Era precisamente suposto não termos tempo para respirar. A ideia era transmitir ao espectador (com as devidas limitações) a sequência alucinante de acontecimentos que marcam a estória relatada. Encare o filme como um metrónomo cujo ritmo foi imposto pela personagem do falecido Heath Ledger. O Joker é um ser imprevisível que faz as várias engrenagens que sustentam o mundo que o rodeia girarem a uma velocidade imprevisível e desconfortável.

Por que é que achou o argumento complicado? Por que é que achou que "quase todas as cenas são explicativas e parece que só existem para justificar a cena seguinte"? Percebe onde quero chegar com esta linha de raciocínio? É extremamente fácil apontar o dedo (sempre foi e sempre será), mas justificar o porquê de se fazerem determinadas afirmações só está ao alcance daqueles que sabem conviver com os seus iguais em sociedade.

Se tivesse prestado um pouco mais de atenção a este filme e ao seu antecessor, poderia ter reparado numa progressão intencional entre o ambiente estabelecido em "Batman Begins" e aquele que nos é apresentado nesta nova etapa. Não houve qualquer desperdício, mas sim um tremendo aproveitamento das cenas outdoors como nunca antes se tinha visto num filme deste género. Para mais, não percebo a sua insistência em articular as frases como se estivesse a escrever um telegrama.


Salva-se deste pastelão Heath Ledger: podem dizer estamos influenciados e predispostos a achá-lo porque o rapaz morreu, mas é um facto que o seu Joker é muito bom. Pena ter à volta um filme tão mau.

Soube identificar o ponto alto do filme: Heath "The Joker" Ledger. Os meus parabéns. Agora etiquetar o filme de "tão mau" só demonstra que tem algum tipo de ódio pessoal a algo relativo a este filme... ou mais ainda. Vou reformular esta pequena dúvida sob a forma de uma pergunta de escolha múltipla:

O Sr. Luís Miguel Oliveira odeia:
[ ] A personagem Batman e, consequentemente, todo o seu
        universo
[ ] O realizador Christopher Nolan, motivado por pura inveja
        do seu tremendo talento e sucesso
[ ] O cinema em geral, dado que não trabalha na indústria
        do cinema por culpa do resto do mundo
[ ] All of the above

Sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão, mas fico um pouco irritado quando indivíduos da nossa sociedade fazem um uso indevido de um direito que não podemos considerar como adquirido e pelo qual os nossos antepassados lutaram arduamente.

Perante as acusações (e alguns ataques pessoais) que ficaram para trás, passo a estabelecer as bases que me levaram a escrever este post. A diferença fundamental entre os snobs residentes deste blog e os pseudo-especialistas em cinema d'O Público é que nós assumimos abertamente que somos amadores e escrevemos o que queremos. Gostamos de cinema o suficiente para deixarmos as nossas opiniões escritas. Não temos uma obrigação perante a sociedade de estarmos a fazer o que se classificaria de "um bom trabalho", pois não somos expostos às pessoas; são elas que decidem se querem ou não ler aquilo que aqui escrevemos, dado que as nossas opiniões têm o valor que lhes for dado e apenas as próprias pessoas terão a capacidade de ajuizar acerca dos méritos ou deméritos de um filme.

Mas pessoas como o Sr. Luís Miguel Oliveira são remuneradas para providenciar um serviço aos seus leitores. Pegando no exemplo deste filme, ao serem redigidas críticas como o belo exemplar que acabei de dissecar, apenas estão a demonstrar o quão ridículos são e, mais grave que isso, estão pura e simplesmente a dar origem a uma onda de contra-informação relativamente à qualidade dos filmes que vão passando pelas salas de cinema nacionais. Se um dos snobs escrever uma crítica má acerca de um filme, não vai afectar ninguém. Mas se escrevêssemos para um jornal, a conversa mudaria obviamente de tom, pois estaríamos a expôr a nossa opinião perante um conjunto considerável de leitores que poderiam optar por se basearem única e exclusivamente no que havia sido escrito para decidir se um filme seria ou não interessante o suficiente para merecer um investimento monetário num bilhete de cinema, um aluguer num clube de vídeo ou a compra do filme em DVD.

Um dos exemplos que não me canso de referir é o "Fight Club". Eu e o snob fnunes já falámos em diversas ocasiões sobre este filme. Eu considero-o uma obra de arte e um dos melhores filmes de sempre, enquanto que o fnunes simplesmente detestou o filme! No entanto, fomos capazes de apresentar argumentos lógicos para sustentar as nossas opiniões divergentes! Não se pode simplesmente lançar um chorrilho de acusações sem qualquer tipo de justificação, por muito ténue que esta seja. Pessoalmente, apelido esse tipo de atitudes de pura cobardia.

Ao ter lido algumas críticas do Sr. Luís Miguel Oliveira num passado algo longínquo, apercebo-me rapidamente que continua a recorrer à mesma abordagem na interpretação dos filmes que visiona, que é aquela tipicamente associada a quem leva uma existência frustrada por "não estar do outro lado das trincheiras", se me permitem a expressão. Estarei a catalogá-lo facilmente num dos estereótipos mais fortes da indústria cinematográfica? Talvez esteja, sim. Mas faço-o com devido fundamento, pois quem não é capaz de admitir que gostou de qualquer filme que seja, não pode ser outra coisa que não um film school reject.

PS: um grande obrigado ao fnunes por ter contribuído decisivamente para o texto que acabaram de ler.

PS2: em jeito de birrinha pela inconsideração que o jornal O Público teima em demonstrar pelos seus leitores ao permitir que pessoas como o Sr. Luís Miguel Oliveira tenham um espaço fixo de opinião, na qualidade de fundador deste blog irei retirar permanentemente da secção Snobbish Links a ligação para o Cine Cartaz.

19 February 2008

A orgia visual e sonora de Blade Runner...

...continua a ser uma orgia visual e sonora. Vi ontem, em Inglaterra, uma reposição em cinema do Blade Runner e não podia deixar de vir aqui assinalar o momento. Foi a primeira vez que vi em cinema e voltei a gostar muito da atmosfera e ritmo contemplativo do filme. A fotografia, baseada em claros e escuros, é fantástica. A fabulosa música do Vangelis e toda a envolvência sonora do filme complementa o que é para mim um dos mais estimulantes ambientes cinematográficos. O tema da procura de identidade também me diz bastante. Toda a restante parte técnica é boa. Portanto, se calhar volto hoje vou ver de novo ;-) Pergunta para o snob FNunes e qualquer outro que saiba responder: quais são as grandes diferenças entre o livro, que eu nunca li, e o filme?

22 January 2008

Movie Snobs: 1 ano de existência!

O dia que agora termina marca o primeiro ano de existência deste blog denominado Movie Snobs. Parece que foi ontem que tive a ideia de criar um blog no qual pudesse partilhar com os amigos as minhas experiências pessoais ao fazer aquilo que mais gosto e que sempre foi uma paixão minha desde muito novo: ver filmes.

O fascínio que tenho pela arte do cinema é algo que, por muito que me esforce, não consigo explicar por intermédio de uma combinação sintacticamente correcta de meras palavras. Um filme é aquilo a que chamo de um objecto mítico. Porque pode oferecer-me o escape que preciso para descontrair após um dia menos bom no emprego, pode levar-me a recordar uma experiência pessoal (quer seja ela positiva ou negativa) que me tenha de alguma forma marcado, pode levar-me a embarcar numa aventura que me veria impossibilitado de saborear de qualquer outra forma, pode assustar-me com criaturas diabólicas e maléficas...

Na sua verdadeira essência, é isto que o cinema exerce sobre mim: poder. O poder de me fazer sorrir, de me fazer chorar de alegria ou tristeza, de tocar em pontos do meu íntimo que apenas partilho com o círculo muito estrito de pessoas que me orgulho de conhecer e que considero a minha família (por laços familiares ou de amizade), de me proporcionar experiências emocionais às quais não teria acesso no contexto social e familiar da vida que levo...

Por me ajudarem a partilhar este vasto conjunto de emoções, deixo os meus sinceros agradecimentos a todos os que, de uma forma ou outra, têm contribuído para o crescimento deste blog. O nosso blog. Apesar de terem vidas profissionais exigentes, todos vocês investem segmentos do vosso tempo pessoal para partilharem pontos de vista relativamente aos filmes a que assistem e mais que isso eu nunca vos poderia pedir. Do fundo do meu coração, muito obrigado. :)

Após um texto emotivo, e antes que comece a chorar, partilho com vocês o meu desejo de que este blog se mantenha activo por muitos e bons anos, continuando a ser um ponto de encontro de um grupo de amigos que gosta de cinema e que quer partilhar esse mesmo gosto com todos os internautas que estejam dispostos a perder algum do seu tempo a ler o que aqui escrevemos.

Num tom ainda mais pessoal, não posso deixar de referir que ter-vos a todos como amigos é um privilégio do qual me orgulho de poder usufruir. Aliando a isto o facto de ter ao meu lado a mulher que amo há tantos anos, terei que terminar este meu pequeno ensaio fazendo minhas as palavras de um velho amigo:

Today, I consider myself the luckiest man on the face of the earth.

02 September 2007

Is Deckard a Replicant?



Antes de começar tenho de alertar que o texto que se segue tem spoilers sobre o filme Blade Runner.




Como já tinha escrito na review do filme, várias pessoas têm diferentes interpretações do filme Blade Runner. Uma das diferenças é a própria personagem principal (Deckard), ficando a dúvida se ele é ou não um replicant. Segundo Ridley Scott, Deckard é um replicant, e foi de sua intenção deixar pistas no filme, que levassem o espectador a chegar a essa conclusão ou pelo menos, que questionassem a sua humanidade. Os principais indícios são:

- Numa fala de Gaff, na qual ele diz a Deckard “You've done a man's job, sir!”
- Deckard nunca chega a responder à pergunta de Rachel: Have you done the test.
- Na versão director's cut, a meio do filme Deckard sonha com um unicórnio, e no final, quando ele sai do seu apartamento com Rachel, ele repara que está no chão um origami de um unicórnio deixado por Gaff.
- O motivo de Roy ter salvo Deckard no fim do filme pode ter sido por ele ter descoberto que Deckard é um replicant como ele.

O principal argumento de quem defende que Deckard é um replicant está nas cenas adicionais da versão director's cut, que apontam claramente para que ele seja replicant. No entanto há vários argumentos que sugerem o contrário, entre ele:

- No livro de Philip K. Dick que deu origem ao filme, Deckard é humano.
- Não há replicants na Terra (Rachel é um modelo experimental).
- Deckard é fisicamente mais fraco que os outros replicants.
- No filme, todos os replicants são tratados pelo seu primeiro nome (ex: Roy, Rachel) enquanto que os humanos são tratados pelo seu apelido (ex: Sebastian, Tyrell).

O facto de no livro Deckard ser humano sem qualquer sombra de dúvida é o principal argumento de quem defende que Deckard é humano. No entanto, visto que o filme não é uma adaptação da estória do livro, acho que esse argumento não deve ser levado em consideração. No entanto Deckard é-nos apresentado como humano, e se as pistas apresentadas durante o filme não forem suficientemente fortes para levarem o espectador a mudar de opinião, então Deckard é humano. Mas serão insuficientes?

Face a estes argumentos, todos concordamos numa coisa: não é claro se Deckard é ou não um replicant. Como tal, cada um deve decidir por si qual a posição que defende: Deckard é um replicant, Deckard não é um replicant, ou finalmente, o importante é que seja lançada a dúvida. Quem ganha com esta discussão é a obra de Dick, pois o filme cumpre o mesmo objectivo do seu livro: questionar acerca do que é a humanidade.

17 July 2007

Transformers

Se os robots do filme tivessem parecidos a este, o filme estaria melhor.

20 June 2007

Tears In Rain

E se, com a precisão de um relógio, o nosso organismo estivesse programado para morrer ao fim de um certo tempo de vida e nada pudéssemos fazer para o evitar? Talvez o ideal fosse conseguir encarar esse momento friamente; sem emoções... Um excerto de Blade Runner (1982).

07 May 2007

Livros Vs Filmes

A grande maioria das pessoas defende que os filmes são sempre inferiores aos livros, e que qualquer adaptação de um livro ao cinema, terá sempre uma qualidade mais baixa. Na minha opinião o problema começa com esse dogma. Se alguém considera à partida que um livro é superior a um filme, vai sempre achar que uma adaptação é inferior, e regra geral é inferior porque faltam cenas, um personagem não aparece, as falas foram mudadas; em resumo, não está como o livro.


Quando se faz uma adaptação, é necessário ter em consideração que estamos a trabalhar em ambientes diferentes. Uma descrição que pode abranger várias páginas num livro, não poderá ter essa projecção numa tela, uma determinada cena que pode parecer interessante num livro, numa adaptação pode ser completamente irrelevante. Acima de tudo, há que ter a consciência que estamos perante dois meios com características distintas.


Dito isto, o que faz de uma adaptação uma boa adaptação? Em primeiro lugar tem de ser um bom filme, pois caso não o seja, falhou o seu objectivo principal. Em segundo lugar, deverá seguir a estória do livro, não obrigatoriamente linha à linha, mas sim de uma forma geral. E finalmente, os leitores do livro deverão reconhecer os personagens, locais, cenas, etc. mas acima de tudo vamos apreciar as adaptações como filmes e não como adaptações, pois o resultado final acaba mesmo por ser um filme, que é criado para ser visto tanto por pessoas que leram o livro como por quem não o leu.

09 March 2007

A invasão dos filmes baseados em BD

Não, não me estou a referir a zombies, embora o tipo de raciocínio seja parecido... É claramente uma invasão, querem comer-nos os cérebros e só podem ser mortos com um tipo na cabeça ou através da sua separação do restante corpo.

Numa nota mais séria, alguns dos filmes/projectos que refiro parecem-me ser muito interessantes. A minha obsessão pelo Batman leva a que "The Dark Knight" seja o filme que aguardo com mais expectativa de entre todos os que se seguem. A única dúvida que permanece diz respeito à actriz que irá substituir Katie Holmes, sendo as favoritas Rachel McAdams e Maggie Gyllenhaal, estando esta última em negociações com o genial Christopher Nolan e, por isso, na liderança da corrida para o papel de Rachel Dawes, o interesse amoroso de Bruce Wayne.

Novamente devido a preferências pessoais, estou algo ansioso por poder ver "Iron Man" e "Hellboy 2: The Golden Army". Há muitos anos que acompanho a storyline do problemático Tony Stark, enquanto que apenas descobri o jovem demónio vermelho invocado em plena 2ª Guerra Mundial cerca de um ano antes de estrear o primeiro filme. Este último filme tem também a vantagem de ser dirigido por um dos meus realizadores favoritos, Guillermo del Toro.

Gostaria também de referir "Wolverine", cujo único objectivo é a exploração das origens daquela que considero a principal personagem de todo o universo Marvel. Toda a história que rodeia a secreta vida de James Howlett (conhecido por Logan) é absolutamente fascinante e este poderá vir a ser um excelente filme, desde que baseado num argumento consistente, dado que as actuações de elevado nível estão praticamente garantidas à partida.

Por outro lado, "Watchmen" merece obviamente a minha atenção, tratando-se da adaptação ao grande écrã de uma das minhas novelas gráficas favoritas. Escrita pelo bizarro Alan Moore, "Watchmen" mergulha no universo dos super-heróis e retrata-o de uma forma cruelmente realista, objectiva e negra, abordando diversos conflitos sociais associados ao tópico do estabelecimento da autoridade. No entanto, parece-me praticamente impossível que a compressão desta novela em um único filme seja conseguida com sucesso, estando, por isso, algo renitente no que diz respeito à qualidade do produto final. Uma curta frase que, embora de uma forma enigmática, reflecte o significado social e moral desta novela é a seguinte: "Who watches the watchmen?"

Para finalizar, gostaria de mencionar "Transformers", baseado numa série de animação brilhante e revolucionária na altura em que se estreou na televisão. Para grande infelicidade minha, este projecto foi entregue ao incompetente Michael Bay (recuso-me a colocar um link para a sua página no IMDb), um homem que consegue fazer com que Uwe Boll e o mítico Ed Wood pareçam realizadores de primeira categoria.

Aqui fica então a lista de filmes:
Existem mais três filmes que aproveito para referir de seguida, embora não tenham uma página dedicada no IMDb devido ao estado pré-embrionário em que os seus processos de produção se encontram presentemente:
  • Flash
  • G.I. Joe
  • Constantine 2
Os rumores mais concretos apontam para Ryan Reynolds (brilhante jovem actor!) e Mark Wahlberg como os principais protagonistas de "Flash" e "G.I. Joe", respectivamente. De acordo com os produtores de "Constantine 2", o filme terá menos de metade do orçamento do seu predecessor e focará o lado mais negro da personagem principal John Constantine, que será novamente desempenhada por Keanu Reeves.

Os "meninos mimados" do Público

À dias ouvi um podcast, em que às tantas o “host” que não é possível que se faça um critica sem que se inclua a opinião pessoal do crítico. Isso é verdade mas também há que ter a maturidade para não deixar que a crítica seja guiada pela opinião pessoal, ou seja, por não ter gostado de um filme não vou escrever uma critica apontando-lhe somente defeitos, porque decerto que o filme tem algo de bom. Isto significa que muito dificilmente um filme teria nota 0 numa escala até 10. Mas independente da nota atribuída pelo critico, a sua critica pode ser mais ou menos dura apontado as falhas que o filme tem.


Toda esta conversa para tentar justificar uma separação que pode ser feita entre um bom e um mau crítico. Tendo um bom nível de conhecimento cinematográfico, o bom crítico é aquele que reconhece aspectos positivos num filme que não gostou e pontos negativos num que tenha gostado. No entanto não parece que isso se possa aplicar aos críticos do cinecartaz do jornal Público. Antes de mais devo expressar a minha admiração pelo site nomeadamente pela informação dos horários e filmes das salas de cinema de todo o país. No entanto, no que diz respeito aos críticos (e aqui estou a referir-me aos críticos residentes e não aos utilizadores do site que deixam criticas aos filmes nesse site) devo deixar aqui uma nota muito negativa, simplesmente porque não consigo compreender o que vai na cabeça daqueles senhores.


Antes de mais tenho de clarificar que eles classificam os filmes numa escala que vai até 5, o que significa que é muito mais provável ser atribuída nota máxima do que numa escala até 10. Mas o problema é o modo como essa escala é usada, nomeadamente alguns 0s atribuídos a filmes, a meu ver sem justificação. Para tal vou pegar no exemplo do filme Babel. Para que não se recorda, o filme esteve nomeado, entre outros, para o Oscar de melhor filme. O que significa que deveria ser um dos 5 melhores filmes do ano. Embora isso seja sempre discutível, deveria ser consensual que apenas maus filmes não fazem parte do lote de candidatos a essa estatueta. Mas segundo os pseudo críticos do público, o filme deveria era estar nomeado para um Razzie a julgar pelas notas e critica que o filme tem no site. Dos quatro críticos residentes, três atribuiriam nota 1 e o outro classificou-o com um 0.


Vamos então por partes. A minha opinião é que o filme está “overrated”, e que não é tão bom quanto o pintam. Isso faz do filme um mau filme? Não, pois por um filme não ser muito bom apenas quer dizer isso, que não é muito bom. Achei que o estilo de realização do filme bastante mau, pois as quatro estórias contadas a serem constantemente interrompidas para continuar um pouco de outra torna o filme confuso de seguir. E ainda pior, as estórias não estavam a acontecer ao mesmo tempo, e quando mudava o espaço da acção, podíamos ter avançado ou recuado no tempo. Também não gostei do facto de duas delas estarem muito pouco ligadas, e defendo que o filme ganhava muito se se centrasse nas duas que ocorrem em Marrocos.


Sabendo isto, Babel é um mau filme? Não, porque um filme não é apenas realização. Embora tenha detestado a forma como o filme está mostrado, as estórias contadas são boas estórias. Todas as quatro! Os actores no geral convencem, principalmente a actuação na parte dos marroquinos. Os planos estão bem, o som é bom, a banda sonora recordo-me de ambientar bem o filme. A nível técnico o filme está bom. Então, somando todos os factores a minha classificação é 6.5, ou em escala até 5, nota 3. Isso é um mau filme? Não, é um filme médio ou um pouco acima da média. Embora tenha ficado com um amargo de boca quando saí da sala, pois esperava um filme melhor, não acho que o filme seja mau de todo.


No entanto, quando certos críticos atribuem nota 0 a um filme estão a querer dizer que o filme é lixo, nada se aproveita. A minha pergunta a todos é, quantos filmes já viram do qual nada é bom? Não muitos acredito. E quantos é que atribuiriam 0 ao Babel? E o pior é quando se lê a critica e nos apercebemos que ela se limita a disparar para todas as direcções, sem qualquer comentário à qualidade do filme. Isso assim não é crítica.


Não me estou a julgar uma autoridade em cinema, mas as criticas que leio no cinecartaz são uma tragicomédia negra. Não sei se hei-de rir ou chorar!


Em resumo, concordo com as palavras do fundador deste blog: “os "meninos mimados" do Público, que percebem tanto de cinema como eu de pesca subaquática no norte das Bahamas entre os meses de Março e Maio.”




PS: De notar que Babel é apenas um filme que tomei como exemplo. Há mais cujas notas não consigo entender.

03 March 2007

A psicanálise da crítica

Se um dia o sonho dos críticos de cinema se tornar realidade e for criado um óscar para a melhor crítica e se o meu sonho se tornar realidade e eu ganhar esse óscar, no meu discurso de agradecimento, vou sem dúvida recordar as primeiras críticas que li na minha juventude. Foi nas páginas do Cartaz do jornal Expresso que o meu sonho começou. Nessa altura, e julgo que ainda é assim agora, o Expresso tinha quatro críticos residentes que comentavam e classificavam cada um dos filmes em exibição. Quando eu queria decidir que filme iria ver espreitava os comentários e estrelinhas atribuídas pelo JLR, MCF, FF e mais outro cujo nome não me recordo. Aquilo que logo me cativou e apaixonou nesta arte, a de criticar, foi como a subjectividade emocional subjacente ao cinema, que é a arte de provocar emoções através da imagem em movimento, pode ser tão habilmente mascarada com tecnicismo racionalista. Ou seja, o crítico hábil consegue convencer-nos que o Tomb Raider é uma obra plasticamente genial e ele próprio perder a noção de que só gostou do filme graças ao genial par de plásticas da Angelina Jolie. Isto, senhores, é arte. E era assim, que o mesmo filme recebia 5 estrelas dadas pelo JLR, apenas a tradicional bolinha do FF e duas irrefutáveis justificações dadas por cada um deste críticos. Eu, imediatamente vi na crítica cinematográfica adubo para o snobismo da minha inteligentite florescer. Assim foi e eis que dou por mim a chegar ao ponto mais alto da minha carreira: O Movie Snobs. No entanto, antes de começar a postar e pedindo paciência a algum raro leitor que tenha as emoções em harmonia com a razão, quero deixar este lembrete:

O gostar ou não de um filme depende de um grande número de factores que nem mesmo Freud equipado com leitor de dvds conseguiria trazer por completo à consciência. Não é pelo filme ser "bom" que vamos gostar dele. O objectivo do crítico é convencer-nos que aquilo que ele pessoalmente gosta é "bom", mas nós, que temos um historial psicanalítico diferente e podemos por exemplo não sofrer de complexo de Édipo, não iremos gostar necessariamente do mesmo!

Dito isto, e porque só através da discussão nos poderemos algum dia entender... é tempo de disparar em todas as direcções!

25 February 2007

Nomeações para os Oscars (8 de 8)

Chegamos então à última categoria incluída no meu lote pessoal dos 8 prémios mais importantes dos Oscars. Sem qualquer demora, aqui estão os 5 candidatos:

(8) Best Writing, Screenplay Based on Material Previously Produced or Published

Parecem haver 2 claros candidatos à vitória nesta categoria, sendo eles "Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan" e "The Departed". O primeiro dos favoritos não é mais do que uma lista interminável de situações que são capazes de despertar uma risada no mais sisudo dos seres humanos, enquanto que o segundo é uma adaptação interessante do brilhante "Infernal Affairs", com a introdução de algumas alterações na história que tornam a versão de Scorsese mais envolvente, emocionalmente complexa e não tão distante do espectador.

É um palpite algo complicado, pois parece-me que Sacha Baron Cohen poderá mesmo receber uma estatueta nesta categoria, sendo este prémio uma espécie de compensação pelo facto de ter sido ignorado na categoria de Melhor Actor Principal. No entanto, a escolha poderá também recair sobre uma história intensa recheada de acção, drama, traição, romance e violência. Ponderando todos os factores em jogo, penso que a consistência da complexa rede humana retratada em "The Departed" deverá ser suficiente para garantir a vitória.

Nomeações para os Oscars (7 de 8)

Nas duas categorias que se seguem, não me irei alongar tanto como nas previsões anteriores, visto ter finalmente entrado no domínio dos argumentos escritos para o grande écrã. Nesta categoria, irei então abordar os seguintes 5 candidatos:

(7) Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen

Tanto nesta como na próxima categoria parecem-me estar, sem qualquer tipo de dúvida, os 10 melhores argumentos do ano. Na presente categoria surgem 4 dos 5 nomeados para a categoria de Melhor Filme, dado que a obra-prima de Scorsese apenas tem lugar na categoria que segue, dado tratar-se da adaptação de material previamente publicado ou produzido.

Antes de revelar o meu palpite pessoal acerca do vencedor desta categoria, falta-me apenas abordar o único filme a que ainda não tive a oportunidade de me referir. Minutos antes de começar a escrever este artigo, terminei o visionamento de "El Laberinto del Fauno". Irei em breve publicar uma review deste filme, portanto apenas irei abordar os seus pontos fundamentais. Aliás, penso que consigo descrevê-lo em três palavras (podia fazê-lo em apenas uma, mas quero utilizar o verbo e o artigo indefinido por uma questão de completude lexical): é uma obra-prima.

Este é um filme que muito facilmente poderia ter estado nomeado para a categoria de Melhor Filme, não fosse o facto (aparentemente muito incómodo para a Academia) de ser falado em espanhol. É emocionalmente poderosíssimo, extremamente intenso, gráfico e multifacetado, com uma ligação perfeita entre o mundo brutalmente real e cruel do regime fascista em Espanha e o mundo mágico e simultaneamente belo e negro com o qual a jovem protagonista entra em contacto ao longo do filme.

Não me irei alongar mais acerca deste e dos restantes candidatos, deixando apenas a minha convicção pessoal de que Guillermo del Toro deverá, muito provavelmente, ver o seu trabalho reconhecido nesta categoria, assim como na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira. O único concorrente à altura de "El Laberinto del Fauno" é o versátil e inteligentemente escrito argumento de "Little Miss Sunshine", que tem a seu favor ser um filme falado em inglês. Sim, eu sei que é um motivo apropriado para um ser humano com uma mentalidade típica do século XVII, mas infelizmente é assim que funciona Hollywood. Um pouco para o Bem e muito para o Mal.

24 February 2007

Nomeações para os Oscars 2007 (3 de 8)

Partindo de um registo perfeito nos palpites fornecidos para as duas categorias já abordadas, passo para a minha previsão dos resultados dos Oscars na seguinte categoria:

(3) Best Performance by an Actor in a Leading Role

Nesta categoria começam então a surgir as piadas falhadas da Academia. Porquê falhadas? Porque não têm piada, obviamente! Sobretudo quando não são nomeados actores que o mereciam em claro detrimento de alguns que se encontram nesta lista.

Começo logo pelo caso mais gritante de todos. Will Smith? Quando é que esta gente da Academia se convence que este homem é um dos actores mais sobre-estimados da sua geração? Será que alguém, no espaço de 5 segundos, me consegue dizer o nome de 3 filmes em que tenha tido um bom desempenho? E respondendo à primeira questão que surgiu na vossa mente mal terminaram de ler a questão anterior, não podem responder "The Prince Of Bel-Air", pois não é um filme e o seu papel é medíocre, assim como a série em si.

Ah, esperem... Já me estou a recordar do brilhante papel que desempenhou em "Ali". Eu disse "brilhante"? Não liguem ao que digo... Deve muito provavelmente ser algum sintoma inicial de uma contaminação com o H5N1. Como é possível um homem estragar papéis ao mesmo ritmo que eu vejo filmes? Nunca vi um papel tão mau num filme biográfico como o de Smith em "Ali". Centrando-me no papel em questão, "The Pursuit Of Happyness" é um filme com uma história para "puxar lágrimas", se me permitem a expressão, e bastante consistente, mas, mais uma vez, não consigo deixar de achar o seu desempenho perfeitamente vulgar. Como tal, não consigo compreender os fundamentos da sua nomeação para esta categoria.

Continuando a dar corda a esta onda de revolta, passo então para Leonardo DiCaprio. Esqueçam o "Titanic" de uma vez por todas e constatem aquilo que é facto: DiCaprio é o actor mais talentoso da sua geração e irá, um dia mais tarde e sem qualquer tipo de dúvida, figurar na lista dos melhores actores de sempre. A sequência de desempenhos fabulosos com que nos tem brindado (apetecia-me dizer "abençoados", mas não quero que fiquem a pensar que sou algum religioso fanático que justifica o lado bom da vida com Deus e outras referências ectoplasmáticas espectrais semelhantes) nos últimos anos apenas é ultrapassada pelo trabalho de alguns monstros de Hollywood, como Robert De Niro e Al Pacino, por exemplo.

O início do seu amadurecimento como actor começou no momento em que foi "adoptado" por Scorsese, substituíndo um já algo envelhecido e pouco dinâmico De Niro e passando a assumir o papel de actor-fetiche de um dos maiores realizadores de sempre. O ano de 2006 ficou marcado por dois excelentes desempenhos de DiCaprio nos filmes "The Departed" e "Blood Diamond" dos realizadores Martin Scorsese e Edward Zwick, respectivamente. Após uma análise cuidada destes filmes, mantenho a minha reacção de estupefacção quando me deparei com a nomeação de DiCaprio para esta categoria pelo seu papel em "Blood Diamond". Embora seja um desempenho notável, até um miúpe como eu é capaz de constatar que o papel de DiCaprio em "The Departed" será o seu melhor desempenho até hoje, juntamente com a sua caracterização de Howard Hughes em "The Aviator".

A verdadeira questão a considerar, relativamente a esta situação, é a seguinte: porque é que DiCaprio não foi nomeado por "The Departed"? Uma possível teoria, e que é a minha actual convicção, é dada no decurso da análise do próximo nomeado, mas posso, entretanto, deixar aqui a moral da história que, infelizmente, passa por este não ser o ano de DiCaprio nos Oscars. A minha admiração por este actor cresce a cada filme seu que vejo e acredito que a conquista de uma estatueta dourada não é mais do que uma questão de tempo.

A resposta à questão que havia lançado no parágrafo anterior está directamente relacionada com Peter O'Toole. Estando DiCaprio fora da corrida devido a uma nomeação muito inteligente por parte da Academia, restam dois resultados possíveis para esta categoria, passando um deles pela já muito tardia consagração deste enorme actor que poderá ver ser-lhe atribuído este ano o prémio que já lhe escapou em 7 prévias tentativas ("Lawrence of Arabia", "Becket", "The Lion in Winter", "Goodbye, Mr. Chips", "The Ruling Class", "The Stunt Man" e "My Favorite Year").

A cerimónia deste ano marca um período de 25 anos de ausência de O'Toole das nomeações para os Oscars, tendo-lhe, no entanto, sido atribuído na cerimónia de 2002 o único Honorary Award dado pela Academina até hoje por, e passo a citar, "whose remarkable talents have provided cinema history with some of its most memorable characters". Por favor... Se não querem dar um Oscar ao homem, ao menos tenham a decência e coragem de o afirmar publicamente, ao invés de nos atirarem com areia para os olhos. Parece-me que não há muito a dizer sobre este homem, dado que o seu vasto e glorioso currículo fala por si e é capaz de deixar boquiaberto qualquer amante de cinema.

Se bem se recordam, afirmei que existiam dois resultados possíveis para esta categoria. Estando um deles já coberto, o outro diz então respeito à vitória de Forest Whitaker, o que daria continuidade à impressionante série de vitórias que este veterano actor tem vindo a coleccionar em todas as cerimónias relacionadas com cinema pelo seu retrato do ditador Idi Amin em "The Last King of Scotland". O seu desempenho é soberbo e marca claramente o ponto alto de uma carreira algo discreta, no sentido de que Whitaker participou em alguns dos filmes mais marcantes do cinema, mas sempre em papéis secundários e quase sempre ofuscado por desempenhos fantásticos dos respectivos cabeças de cartaz.

Até ao lançamento do filme pelo qual se encontra nomeado, apenas posso destacar os papéis que desempenhou em "The Color of Money", "Platoon", "Good Morning, Vietnam" e "The Crying Game", sendo que estes me parecem ser aqueles onde mais teve a oportunidade de mostrar o seu verdadeiro valor e as suas capacidades como um actor versátil capaz de estar à vontade em géneros tão variados como acção, drama e comédia. No que diz respeito à vitória nesta categoria, é um dos dois principais candidatos e mais não é preciso dizer.

Ryan Gosling é a grande surpresa neste lote de actores, pelo menos para quem ainda não teve a oportunidade de ver "Half Nelson". Este jovem actor ocupa uma vaga neste lote de nomeados que começa a parecer estar reservada todos os anos para uma nomeação surpresa. No entanto, não posso deixar de referir a justiça da chamada de atenção para o talento de Gosling que esta nomeação constitui para os mais distraídos em Hollywood, cuja carreira no grande écrã começou com um pequeno papel em "Remember the Titans". Quando tive oportunidade de o ver em "Murder by Numbers", fiquei cativado com o seu desempenho, que acabou por ser a única fonte de luz num filme vulgaríssimo. Antes de Half Nelson, Gosling teve 3 papéis notáveis e dignos de referência nos filmes "The United States of Leland", "The Notebook" e "Stay". Tem um futuro brilhante e esta poderá ser apenas a primeira de muitas nomeações e quem sabe se não virá mesmo a levar para casa uma destas estatuetas.

Recapitulando, esta estatueta irá ser atribuída a Peter O'Toole ou Forest Whitaker, embora a minha intuição me diga que O'Toole irá abandonar Los Angeles com um imenso sorriso nos lábios e com um prémio há já muito merecido. Em relação aos palpites pessoais para as nomeações, desta feita apenas acertei em 3, pois tinha apostado na nomeação de DiCaprio pelo seu papel em "The Departed" e, provavelmente para grande espanto de alguns, estava convicto que Sacha Baron Cohen iria ver o seu super-desempenho em "Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan" reconhecido pela Academia com uma nomeação nesta categoria. Sinceramente, acho que Sasha deve considerar a sua vitória nos Golden Globes muito mais importante que qualquer possível nomeação para os Oscars, visto que a Hollywood Foreign Press até parece perceber alguma coisa de cinema e, quiçá, até seja mais instruída nesta matéria do que certas Academias...

20 February 2007

Nomeações para os Oscars 2007 (2 de 8)

Começando por recordar que acertei nas 5 nomeações para a categoria Best Motion Picture of the Year, vou então prosseguir a minha previsão dos resultados dos Oscars, focando a minha atenção na seguinte categoria, tendo, mais uma vez, acertado em cheio nestes 5 candidatos:

(2) Best Achievement in Directing

Esta categoria apresenta um nível de incerteza claramente inferior à que abordei na primeira parte desta previsão dos Oscars. Aquando da divulgação das nomeações, a sensação imediata foi a de que este seria finalmente o ano de Martin Scorsese. À sexta nomeação, e após 5 tentativas prévias em que o tão ambicionado prémio lhe escapou ("Raging Bull", "The Last Temptation of Christ", "Goodfellas", "Gangs of New York" e "The Aviator"), este seria o ano da consagração absoluta daquele que, para mim, é um dos 3 melhores realizadores de sempre da história do cinema.

Uma das dúvidas que mantinha dizia respeito aos resultados da cerimónia dos prémios da Screen Director's Guild. Ao longo das 56 edições de entrega destes prémios, por 52 vezes o prémio atribuído veio, mais tarde, a coincidir com o Oscar. Dado este facto curioso, esperei ansiosamente pela realização da cerimónia, e consequente entrega dos prémios, e quando constatei que Scorsese tinha sido premiado pelos seus colegas de profissão devido ao fantástico trabalho que desenvolveu no filme "The Departed", elevei o meu nível de convicção para 93% de que o Oscar irá ser-lhe atribuído.

Os indícios que apontam para este resultado são imensos e demasiado fortes para que uma pessoa sensata aposte em qualquer um dos restantes quatro nomeados para a vitória nesta categoria. De qualquer forma, gostaria de falar um pouco sobre cada um deles, começando por Stephen Frears, que considero um dos realizadores britânicos mais subestimados da sua geração.

O currículo deste experiente realizador inglês é extraordinário (quem não se lembra de filmes como o fantástico "Dangerous Liaisons", "The Grifters" que lhe valeu a sua única nomeação nesta categoria até este ano, "Hero", o incompreendido "Mary Reilly", o soberbo "High Fidelity" e "Mrs Henderson Presents"), tendo ficado claramente explícita a sua capacidade para lidar com actores de renome, levando-os a desempenhar os seus papéis com brilhantismo. O expoente máximo da sua carreira é, sem qualquer dúvida, The Queen, sendo este o seu trabalho mais consistente e poderoso, no qual beneficia de dois pontos em seu favor: a abordagem do período conturbado que se viveu em Inglaterra após a morte da Princesa Diana, uma figura quase elevada ao estatuto de deusa pelo povo, e a fenomenal interpretação de Helen Mirren, não sendo nenhum exagero afirmar que Frears foi autenticamente abençoado aquando da resposta afirmativa de Mirren ao convite que lhe havia sido feito.

Desde que começaram a ser veiculadas as primeiras notícias que indicavam uma vontade de abordar este período específico da história inglesa em filme, sempre afirmei que apenas existia uma actriz capaz de interpretar aquele que poderia vir a ser um papel talhado para os Oscars. E essa mulher é Helen Mirren. Terei, no respectivo artigo, a devida oportunidade de elaborar sobre a minha admiração por esta deusa da 7ª Arte. Fiquei muito contente por ver o trabalho de Frears reconhecido na cerimónia de entrega dos BAFTA, com o galardão de melhor filme britânico do ano.

Clint Eastwood é um monstro do cinema. E não o digo com uma conotação negativa. Bem pelo contrário, visto que este homem é uma das pessoas que sempre admirei em Hollywood por ser um trabalhador incansável, rigoroso, sério e fiel aos seus princípios morais e de vida. O trabalho que desenvolveu ao longo de todos estes anos de carreira fala por si. Quem é que se poderia esquecer do mítico Dirty Harry, o protótipo de polícia perfeito, para o qual os fins justificam os meios, quando se tratava de apanhar o mau da fita e ver a justiça cumprida? Apesar de um vasto leque de grandes papéis desempenhados, sempre me pareceu que a sua carreira subiu a pique a partir do momento em que decidiu dedicar-se mais à sua faceta de realizador, sem nunca abdicar, no entanto, da oportunidade de desempenhar os principais papéis em muitos dos seus filmes.

Tudo começou com o fantástico "Unforgiven", onde assumiu a dupla tarefa de protagonista e realizador, tendo o seu trabalho sido reconhecido unanimemente pela crítica e coroado com os Oscars de melhor realizador e melhor filme. E este filme permitiu constatar uma das maiores virtudes de Eastwood como realizador (virtude essa que partilha com Scorsese e que apenas os abençoados possuem) é a sua capacidade inata de fazer brilhar os seus actores, através de um processo de casting criterioso em que nada fica ao acaso, sendo o resultado final um emparelhamento quase perfeito entre actores e papéis. No filme em questão, como é possível esquecer o desempenho de Gene Hackman, tendo conquistado o Oscar de melhor actor secundário? Mais recentemente, temos os casos de "Mystic River", com a atribuição dos Oscars de melhor actor e melhor actor secundário a Sean Penn e Tim Robbins, respectivamente, e "Million Dollar Baby", com o qual atingiu o ponto alto da sua carreira e a consagração definitiva, com 4 estatuetas douradas (melhor filme, melhor realizador, melhor actriz principal para Hilary Swank e melhor actor secundário para Morgan Freeman).

Alejandro González Iñarritu é um realizador com um currículo pouco extenso, principalmente devido ao facto de apenas ter realizado o seu primeiro filme aos 33 anos e de ainda ser bastante novo (43 anos), de acordo com os padrões usuais para realizadores. Pode-se rapidamente constatar que Iñarritu contas apenas com 3 longas-metragens na sua curta carreira, constituíndo estas uma trilogia cujo principal tema é o ser humano e a forma como se relaciona com outros seres da sua própria espécie em diversos cenários e contextos emocionais. "Amores Perros", "21 Grams" e "Babel", respectivamente, contam diversas histórias onde me parece que a principal ideia a reter é a incapacidade do ser humano em lidar com as suas próprias emoções e com as consequências que as suas acções acarretam.

O seu estilo de realização é algo peculiar, passando pela construção de uma rede de acontecimentos sem uma sequência cronológica e espacial bem definida, o que pode facilmente despertar sentimentos de confusão e desconforto nos espectadores. Um dos snobs residentes deste blog não é, ele próprio, um grande fã do estilo de Iñarritu, enquanto que, pessoalmente, devo dizer que, embora não seja o meu tipo de realização favorita, também não me incomoda muito e consigo, com alguma paciência, lidar com os constantes saltos no enredo. É a sua primeira nomeações e parece-me estar perfeitamente arredado de qualquer hipótese de vencer a categoria.

Paul Greengrass tem a carreira mais modesta de todos os realizadores nomeados, mesmo em comparação com Inãrritu, dada a diferença de 8 anos de idade entre ambos, sendo Greengrass mais velho. O trabalho de Inãrritu conseguiu já atingir um nível de notoriedade do qual Greengrass começou apenas a aproximar-se no ano de 2004, embora numa direcção cinematográfica completamente distinta, com a estreia de "The Bourne Supremacy". Com a excepção de "The Theory of Flight", que retrata uma história algo curiosa e pouco comum, a carreira de Greengrass parece ter sido focada em películas relacionadas com manobras militares e a estadia sangrenta dos ingleses na actual República da Irlanda ("Bloody Sunday"). "United 93" é o grande feito da sua carreira até ao presente momento: um filme poderosíssimo, que aborda um tema ainda muito presente em todos nós e com o qual lidou de uma forma fria, directa e, em certos pontos, quase cruel. Tal como Iñarritu, é a sua primeira nomeação nesta categoria e finaliza o lote de não-candidatos.

23 January 2007

Nomeações para os Oscars 2007 (1 de 8)

Após duas semanas de intensa especulação acerca de quem seriam os nomeados da Academia, a bela Salma Hayek, acompanhada do actual presidente da Academia Sid Ganis, anunciaram finalmente os candidatos às tão desejadas estatuetas douradas. Todos os anos costumo fazer uma projecção dos nomeados para aquelas que considero as 8 principais categorias dos Oscars, relativas a filmes, realizadores, actores e argumentos. Até à data da realização da cerimónia de entrega dos Oscars irei dedicar um artigo de opinião a cada uma das categorias que referi.

Para variar, falhei em muito poucos palpites (6 em 40 nomeações possíveis) e pude constatar que as tendências usuais da Academia se mantêm ano após ano. No passado, este "código de conduta", se assim lhe quisermos chamar, já foi responsável por surpresas algo agradáveis e por algumas muito desagradáveis. Bom, vamos então passar ao que interessa e começamos logo pelo prémio mais importante:

(1) Best Motion Picture of the Year

Quando fiz as minhas previsões, sabia que 3 filmes estariam "condenados" a ser nomeados, sendo eles "Babel", "The Departed" e "The Queen". Para além de ter visto os 2 primeiros e de ter plena consciência do seu elevadíssimo valor cinematográfico, o facto de todos eles terem sido unanimemente aclamados pela crítica internacional pareceu-me ser o suficiente para que conseguissem garantir a presença nesta lista. As duas restantes vagas na lista, de acordo então com o tal "código de conduta", estariam reservadas para um filme independente e uma surpresa.

A única produção independente que, até à data, parecia estar a ser muito bem recebida pela crítica era "Little Miss Sunshine", portanto não hesitei em avançar com a sua inclusão na lista, pois satisfazia todos os critérios impostos pela Academia para a nomeação de um filme independente: uma comédia algo negra e inteligente, suportada por um argumento muito forte e bem escrito, protagonizada por actores capazes de produzir desempenhos sólidos e capaz de transmitir uma sensação inegável de realidade.

Ao contrário do que se passou no ano passado, desta vez consegui prever a surpresa reservada para esta categoria. E porque é que a consegui prever? A resposta é simples: Clint Eastwood é, neste momento, uma das pessoas com mais influência nas altas esferas de Hollywood. Sem tirar qualquer mérito ao filme (até porque ainda não tive a oportunidade de o ver e todas as críticas que li são maioritariamente muito positivas), este estava claramente destinado a surgir na categoria de Best Foreign Language Film of the Year. Foi inclusivamente prevista, por alguns órgãos de informação especializados, uma batalha com "El Laberinto del Fauno", do visionário Guillermo del Toro, caso se confirmassem as nomeações de ambos os filmes para esta categoria.

Tendo a Academia tirado o que, para muita gente, pareceu um autêntico coelho da cartola, "Letters From Iwo Jima" surgiu como nomeado para melhor filme do ano. Volto a reiterar que a influência de Clint Eastwood fez-se sentir em toda a sua força e magnitude com esta nomeação, tornando-se, porventura, necessária para apagar o mais rapidamente possível das nossas memórias o terrível erro que foi "Flags Of Our Fathers", um filme que falhou por completo os objectivos a que se propunha.

Quanto à minha projecção para esta categoria, parece-me que os principais candidatos à vitória são "Babel", "The Departed" e "The Queen". Os restantes filmes ("Letters From Iwo Jima" e "Little Miss Sunshine") desempenham apenas os papéis dos típicos outsiders que não terão qualquer real hipótese de vencer a categoria. Aliás, esta afirmação é especialmente válida para o segundo filme referido, visto que nunca foi dada a vitória ao filme independente nomeado e que a sua nomeação não é mais do que uma forma de a Academia afirmar que está atenta ao cinema produzido à margem dos grandes estúdios de Hollywood.

Tenho que deixar, desde já, bem claro que sou um fã incondicional do trabalho de Martin Scorsese e fiquei boquiaberto quando vi "The Departed" pela primeira vez (já tive a oportunidade de o rever duas vezes entretanto). Vou, de qualquer forma, tentar ser imparcial na minha escolha. Destes 3 filmes, "The Queen" parece-me ser aquele que menos hipóteses terá de vencer a estatueta, pois embora seja um filme emocionalmente carregado e suportado pelo desempenho fantástico de Helen Mirren, não terá aquele "sumo" que "Babel" e "The Departed" claramente destilam do início ao fim.

Entre estes 2 filmes, e para grande desgosto meu, penso que "Babel" irá ser consagrado como o filme do ano. É uma encruzilhada de 4 histórias geograficamente separadas, mas emocionalmente unidas por sentimentos de determinação, ira, decepção, isolamento e tragédia. O desgosto deve-se à já referida idolatração por Scorsese e por este ter feito um filme "à moda antiga", ou seja, regressando um pouco ao estilo que tanto sucesso lhe trouxe em filmes como "Mean Streets", "Goodfellas" e "Casino". Embora seja um filme fantástico com um elenco fabuloso que se apresenta com uma solidez narrativa impressionante do primeiro ao último minuto, "Babel" é o estilo de filme que a Academia gosta de premiar: um drama intenso e tocante em que o lado mais duro e sombrio da realidade nos é apresentado sem qualquer camuflagem.

Tenho, no entanto, uma réstia de esperança que "The Departed" seja premiado. É um facto óbvio, para quem segue com atenção as diversas cerimónias de prémios que antecedem os Oscars (Golden Globes, Screen Actor's Guild, BAFTA, etc.) que a Academia tenta diferenciar-se destas, principalmente dos Golden Globes, o que, na prática, se traduz na atribuição de prémios a candidatos com menores hipóteses de vencer à partida. Posto isto, "The Departed" poderá mesmo vir a ser o cavalo que vai em segundo ao longo de toda a corrida e consegue vencer no sprint final.

22 January 2007

Inauguração do Movie Snobs

Olá a todos.

É com imenso prazer que declaramos oficialmente aberto o Movie Snobs. Queremos transformar este simples blog num ponto de referência informativa para todos aqueles que têm dúvidas acerca de um determinado filme que, de uma forma ou outra, lhes despertou a curiosidade ou suscitou algum tipo de interesse.

A apresentação de conteúdos será feita de acordo com um conjunto específico de regras que estabelecemos no momento em que criámos o blog:

(1) Existem três tipos distintos de posts, sendo eles referentes a críticas de filmes (Movie Reviews), informações acerca de futuras estreias no cinema em Portugal (Movie Debuts) e, finalmente, desabafos acerca de tudo e mais alguma coisa que esteja relacionada com cinema (Movie Rants);

(2) Para cada filme que seja abordado no blog, serão fornecidos links para quatro sites, onde se podem consultar informações mais detalhadas. Querendo manter um equilíbrio entre informação nacional e internacional, decidimos incluir links para o IMDb e o Rotten Tomatoes, do lado internacional, e para o 7ª Arte e o Cine Cartaz, do lado nacional;

(3) As referências a pessoas envolvidas num qualquer filme, sejam elas actores, realizadores, etc., serão sempre efectuadas através do fornecimento de um link para a respectiva página no IMDb, onde nos parece que as informações mais comuns e desejadas estarão sempre facilmente acessíveis;

(4) Será atribuída uma classificação a cada filme, representativa da nossa opinião global acerca deste último. A escala escolhida é igual à presentemente utilizada no IMDb, ou seja, as notas serão atribuídas numa escala inteira de 1 a 10.

Posto isto, e dado que não temos mais nada a dizer no presente momento, pensamos que a única coisa que nos resta afirmar é: "Let the reviews begin, for there is no business like movie business".