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30 December 2009

(2009) Avatar



Avatar é talvez o filme mais esperado do ano, e possível candidato a um dos melhores filmes da década . Filme completamente em 3D com a assinatura de James Cameron. Mas será que o filme é tudo o que se espera dele?

Antes de começar com a critica propriamente dita, tenho de assinalar que provavelmente o meu texto vai alargar-se mais do que é normal. Simplesmente porque há cenas (sem spoilar) que merecem destaque.

A estória coloca um ex-militar paralisado da cintura para baixo, numa expedição a Pandora. Pandora é um mundo selvagem e inóspito, mas com um minério muito valioso para a Terra, suficiente para financiar a sua extracção e todo o aparato militar necessário para protecção face à fauna e à população nativa os Na'vi. Numa tentativa de estreitar os laços com os indígenas, um grupo de cientistas desenvolveu um mecanismo que permite um humano controlar um corpo alienígena, criado para o efeito. O ex-marine vai substituir o irmão cientista, assassinado duas semanas antes de ser enviado para Pandora, com o objectivo de controlar um desses "avatares".

Desde o início que a premissa do filme nos coloca perante uma facção tecnologicamente superior, sem respeito pelo ambiente e movida pela ganância, perante outra que sempre viveu em harmonia com o ambiente envolvente. Nada disso é original. No final a estória do filme  não desilude, mas também não brilha, sendo tudo muito previsível (clichés).

Mas o ponto forte do filme é a cinematografia, que aproveita muito do 3D. Logo na cena de abertura somos brindados com um espectáculo visual, na podemos ver os tripulantes de uma nave de chegada a Pandora, a serem acordados de um sono criogénico. Esta e todas as cenas onde vemos instrumentos de controlo no filme são deslumbrantes. Destaque também para as primeiras cenas com a floresta como pano de fundo, e para a cena (mais perto do fim) em que as cinzas caiem e espalham-se em redor dos personagens no ecrã. Igualmente fantástico estão as animações completamente fluídas dos exo-esqueletos usados pelos humanos.

Infelizmente, o facto de "querer mostrar o 3D", que nos brinda com cenas fantásticas, têm um efeito negativo no filme, pois abrandam o ritmo da estória. Embora isso não seja necessariamente mau, quando começam as cenas de acção no final do filme, o ritmo acelera descontroladamente, sendo o desenlace particularmente veloz. Esta súbita alteração do ritmo fez-me ficar com a sensação de que as duas horas e meia de filme foram excessivas.

Em relação a tudo o resto, o filme cumpre mas não deslumbra. Pessoalmente gostei do universo criado pelo filme.

Em resumo, estamos perante um filme sólido e sem grandes falhas, com cenas que deslumbram, mas com um ritmo irregular e o restante a cumprir, mas a não ir além disso. Cameron soube tirar grande partido do 3D e expor o que de melhor ele tem, para tentar esconder um filme mediano. Mas este blog foi criado com o objectivo de criticar um filme como um todo. No entanto, embora não seja o mesmo, o filme é um bom filme mesmo sem o 3D, correndo sérios riscos de ficar na história como filme que impulsionou o cinema em 3D.

Uma nota apenas para a classificação final que atribuo ao filme. Esta, tal como todas as notas de todos os críticos de cinema, é influenciada pela pessoa que a está a atribuir. Subi meio ponto à nota pois gostei do ambiente em que o filme se insere.

Nota final: 8,0

22 December 2009

(2006) Blood Diamond


Faço o meu regresso às críticas cinematográficas, com a minha primeira crítica de um filme que não fui ver ao cinema (obrigado Davide por me emprestares o DVD). Trata-se de Blood Diamond, filme nomeado para 5 Oscars incluíndo melhor actor (Leonardo Di Caprio) e melhor actor secundário (Djimon Hounsou).


A estória do filme mostra um homem forçado a garimpar diamantes para um grupo armado na Serra Leoa, que encontra um diamante de grandes dimensões e que tenta ficar com ele. Rapidamente um diverso número outra pessoas sabe do facto e tentam apoderar-se da pedra.


Na verdade a estória é aproveitada para retratar a problemática dos países africanos em constantes guerras civís e em particular o negócio obscuro das empresas de diamantes, que ao comprar diamantes de zonas de conflito acabam por financiar o esforço de guerra. E esse é o grande ponto negativo do filme, que ao querer mostrar um pouco de toda essa problemática, empurra a estória para determinados eventos que a determinado ponto começa a parecer que é tudo forçado, e que estamos perante um documentário de duas horas e não perante um filme de ficção. Lord of War, um filme semelhante nesse aspecto, acaba por conseguir entregar a mensagem muito melhor.


Mas para balancear o desequilíbrio do guião está o bom desempenho dos actores, nomeadamente dos actores acima referidos, que acabam por dominar no filme.


No geral é um filme que me desiludiu, pois esperava muito mais. A tentativa de incluir muita coisa acabou por tornar a estória desinteressante os personagens por vezes a terem comportamentos estranhos, mas bem compensados pela qualidade das actuações. Um filme para ver mas não rever.


Nota final: 6,5

02 September 2008

(2007) Hostel: Part II


Paxton, o único sobrevivente de "Hostel", consegue regressar aos E.U.A., mas vive assombrado pelo medo de ser perseguido e morto pelo clube Elite Hunting, tendo-se recusado inclusivamente a contar à mãe de Josh, o seu melhor amigo falecido na Eslováquia, o paradeiro do seu filho. Os seus receios acabam por se tornar uma realidade ao ser decapitado quando se encontrava em casa da sua namorada. A sua cabeça é entregue ao líder do clube de caça como uma espécie de troféu.

Entretanto, Beth, Whitney e Lorna, três amigas universitárias norte-americanas que se encontram a estudar em Roma, estão de malas feitas em direcção a Praga para disfrutarem de uns dias de algum divertimento. Numa aula de desenho, travam conhecimento com uma das modelos chamada Axelle, reencontrando-a na viagem de comboio para Praga. Esta ganha a confiança do grupo de amigas ao recuperar o iPod que havia sido roubado a Lorna já no interior do comboio, convencendo-as de seguida a acompanhá-la numa curta viagem aos arredores de Bratislava, capital da Eslováquia. As amigas aceitam a sugestão de ficarem uns dias numa pequena e acolhedora vila onde terão a possibilidade de se hospedarem num hostel com acesso aos melhores spas de nascentes de água quente natural de toda a Europa.

Após a chegada das três amigas, os seus passaportes dão entrada no sistema informático do Elite Hunting e dá-se início aos leilões pelo direito de "brincar" com elas. Dois amigos norte-americanos, Stuart e Todd vencem os dois leilões referentes a Beth e Whitney, partindo de imediato em direcção à Eslováquia. Todd demonstra um entusiasmo imenso pela oportunidade que se avizinha, enquanto que Stuart está bastante renitente em assumir a responsabilidade de participar no tipo de divertimento proporcionado pelo clube de caça. Durante um festival local, Lorna abandona a festa com um estranho e desaparece sem deixar qualquer aviso quanto ao seu paradeiro. Logo na manhã seguinte, Beth e Whitney são levadas para o armazém industrial onde toda a "acção" decorre. Mais um conjunto de amigos satisfeitos com umas férias inesquecíveis...

"Hostel, Part II" é apenas a terceira longa-metragem do realizador Eli Roth, que desempenhou o duplo papel de argumentista tal como no seu antecessor, "Hostel". Infelizmente, os erros cometidos ao nível da escrita e direcção no primeiro filme voltaram a marcar presença nesta sequela. Foi agradável constatar o esforço em fornecer mais alguns dados relativamente ao clube de caça, nomeadamente a forma de funcionamento dos leilões (mostrada numa cena que tentou ser cómica, mas que acabou apenas por ser mais uma desenquadrada do ambiente do filme). Outro ponto positivo foi o grau manifestamente inferior de cenas de nudez e relações sexuais, mas também deverá ser dito que se trata de uma consequência directa da mudança de contexto humano (um grupo de raparigas em busca de descanso ao invés de um grupo de rapazes em busca de sexo e drogas).

A estória mantém-se como uma série de acontecimentos interligados de uma forma pouco fluída e algo atabalhoada. Insistiu-se novamente na inclusão de cenas que ultrapassam a linha que divive o credível e o ridículo. O expoente máximo é, sem qualquer dúvida, a cena com a qual termina o filme. No fundo, mais uma tentativa de induzir um pequeno riso na audiência, mas não nos esqueçamos que se deveria tratar de um filme de terror com uma premissa algo assustadora. No entanto, devo referir a que considero ser a melhor cena deste filme. A chegada de Stuart e Todd ao armazém onde se encontram as suas vítimas é muito bem conseguida através da eliminação total do som ambiente, sendo substituído por uma música que tem o dom de reflectir a dicotomia de abordagens bem patente nos dois amigos em relação ao que vai acontecer.

Em relação ao elenco, os principais intervenientes cumpriram com os seus papéis. Embora se tenha verificado um tom de superficialidade na interação entre as personagens, a evolução do estado mental de Beth (Lauren German), Stuart (Roger Bart) e Todd (Richard Burgi) foi algo agradável. No caso de Beth, é demonstrado como o instinto de sobrevivência inerente ao ser humano pode alterar a disposição de uma pessoa e a sua abordagem para com aqueles que colocam em causa o seu bem estar. Quanto a Stuart e Todd, estes representam a clássica dicotomia entre o elemento reservado/receoso e o elemento pomposo/corajoso de uma amizade. No momento de enfrentarem desafios à sua própria existência enquanto seres humanos que fazem parte de uma sociedade, os papéis invertem-se e, após a eliminação do recalcamento emocional, o lado negro do elemento reservado da amizade surge em todo o seu esplendor mórbido.

Como já tinha dado a entender, a quantidade de cenas com o factor tits 'n' ass descresceu relativamente a "Hostel", mas a sua qualidade manteve-se acima da média, sendo Vera Jordanova (Axelle) o seu ponto alto. Embora não tenham mostrado os seus atributos físicos de uma forma explícita, Lauren German (Beth) e Bijou Phillips (Whitney) não passam de todo despercebidas.

A cotação inferior deste filme, comparativamente ao seu antecessor, não significa que seja pior, mas deve-se, acima de tudo, ao facto de ter sido desperdiçada a oportunidade de corrigir os imensos erros anteriormente cometidos. O realizador optou por seguir o mesmo caminho quando outros estavam à sua disposição. O relacionamento emocional com os heróis da estória foi novamente dificultado, apesar de se terem verificado algumas mudanças bem vindas na evolução psicológica de um conjunto específico das personagens principais.

Relembro que caso estejam interessados em experimentar a gama de serviços apresentada nestes dois filmes, basta enviar um e-mail para o endereço blatanikov@gang.rus

What we do today is gonna pay off every day for the rest of our fucking lives!

Pontuação global: 5,2

10 August 2008

(2005) Hostel


Paxton e Josh, dois amigos universitários norte-americanos, viajam pela Europa como backpackers, conhecendo em Paris um outro jovem que se junta ao grupo, o islandês Oli. Para os jovens estudantes, esta é uma oportunidade única de terem umas férias recheadas de sexo, drogas e experiências que nunca esquecerão. Tendo começado em França e passado por Suíça e Bélgica, chegam à bela cidade de Amesterdão, hospedam-se num hostel e dirigem-se de imediato para o famoso Red Light District para uma longa noite de diversão. Ao regressarem ao hostel, deparam-se com a porta fechada e reparam que não cumpriram a hora de recolher obrigatório em vigor. Dada uma pequena revolta popular na rua onde se encontram devido ao barulho que estão a fazer, e perante as sirenes da polícia cada vez mais próximas, decidem fugir em direcçao ao apartamento de um jovem chamado Alexei que lhes acena da janela.

Paxton e Josh contam a Alexei o plano de irem para Barcelona com Oli, dado que este tem alojamento grátis na cidade e conhecimentos do sexo oposto interessantes. Perante isto, Alexei sugere uma visita a um hostel nos arredores de Bratislava, capital da Eslováquia. O chamariz lançado é que as raparigas que por lá andam são das mais bonitas e promíscuas da Europa, e adoram rapazes de nacionalidade americana. Como seria de esperar, o grupo de aventureiros aceita a sugestão e segue viagem em direcção ao mítico hostel. Ao chegarem ao destino pretendido, deparam-se com uma vila calma e bonita e, acima de tudo, o hostel supera o que lhes havia sido prometido. Logo após a sua chegada, conhecem Natalya, Svetlana e Vala, três jovens atraentes que prontamente se oferecem para lhes mostrar a vila e outras facetas da vida naquele local.

Após a primeira noite de festa, Oli desaparece em circunstâncias misteriosas, não deixando qualquer aviso quanto ao seu paradeiro. Paxton e Josh tentam contactá-lo por telefone, mas sem sucesso. Com o passar das horas, começam-se a aperceber que algo de errado se passa naquele local. Longe estavam estes jovens de saberem que tinham acabado de cair na alçada de um clube conhecido como Elite Hunting, especializado em oferecer a pessoas de posses financeiras elevadas a possibilidade de assassinarem seres humanos, sendo-lhes dada liberdade total na escolha do percurso a adoptar para atingir o objectivo pretendido. De facto, umas férias inesquecíveis...

"Hostel" é a segunda longa-metragem do jovem realizador Eli Roth, que foi também o autor do argumento. Embora o conceito subjacente à estória seja interessante, foram cometidos demasiados erros (ao nível da escrita e direcção) que levaram o filme a assumir um rumo que defraudou as expectativas lançadas no início da sua promoção. Este filme foi classificado de porno gorefest por muitas pessoas e concordo em parte com a questão do sexo. Um componente vital da estória é a utilização do sexo fácil para atrair os jovens até ao hostel e teriam que ser mostrados alguns dos processos pelos quais estes últimos seriam "pescados", mas o constante bombardeamento com cenas de nudez e relações sexuais acaba por dar um aspecto "barato" ao filme. Nem sempre é preciso mostrar tudo para se fazer passar uma mensagem ou uma ideia.

A estória aparenta ser uma manta de retalhos que é unida consoante o conteúdo das cenas e não é capaz de transmitir uma sensação de fluidez ou continuidade. Algumas das cenas incluídas ultrapassam a linha divisória entre o minimamente credível e o ridículo. Sempre me disseram que não se deve brincar com moto-serras, mas um acidente como o ilustrado numa cena específica pareceu-me overkill. Ficou mesmo a sensação que o objectivo da cena seria induzir um pequeno riso nos espectadores, embora se trate supostamente de um filme de terror... Não era de todo necessário entrar no campo do ridículo para tornar o filme visceral.

Em relação ao elenco, os principais intervenientes cumpriram o que lhes foi pedido. A interacção entre as personagens foi superficial e, perante a ausência de diálogos consistentes, os actores em questão não tiveram ao ser dispôr um suporte escrito que pudesse servir de rampa de lançamento para um conjunto de actuações agradável ou minimamente credível. Para os amantes de slasher flicks, e como já tinha deixado a entender, a quantidade de tits 'n' ass é generosa e a sua qualidade acima da média, sendo Barbara Nedeljakova (Natalya) o seu ponto alto.

Em suma, o filme poderia ter oferecido outro tipo de conteúdo mais adequado ao que se propunha ser. O desenvolvimento das principais personagens foi claramente posto de parte em detrimento de uma sequência interminável de cenas de nudez e sexo. Isto impossibilitou qualquer tipo de relacionamento emocional com o que supostamente seriam os heróis da estória. Cheguei mesmo a desejar que sofressem até não poderem mais, dado o comportamento arrogante que sempre demonstraram desde o início.

Como nota, caso estejam interessados em experimentar a gama de serviços apresentada neste filme, bastará enviar um e-mail para o endereço blatanikov@gang.rus

I always wanted to be a surgeon.

Pontuação global: 5,9

18 May 2008

(2007) War


Dois agentes especiais do FBI, Jack Crawford e Tom Lone, procuram um assassino profissional conhecido como Rogue e que actualmente trabalha para a Yakuza (máfia japonesa), tendo sido no passado um dos melhores assassinos nos quadros da CIA. Durante uma pequena batalha num cais entre Rogue e um grupo de indivíduos pertencentes à Triade (máfia chinesa), Tom atinge Rogue na face com um disparo quanto este se preparava para matar Jack. Rogue cai à água, o que impede Jack e Tom de terem a oportunidade de se certificarem da sua morte. Dias mais tarde, Tom e a sua família (esposa e filha) são assassinados por Rogue, aparentemente numa medida de retaliação pela intervenção dos agentes na "transacção" que decorria no cais. Jack fica obcecado com a captura de Rogue e dedica todos os seus esforços nesse sentido, pondo de parte a sua própria família.

Três anos após a morte do seu parceiro, Jack atravessa uma fase complicada a nível pessoal, estando divorciado da sua esposa e sem a custódia do seu filho, quando subitamente se depara com provas do reaparecimento de Rogue. Um massacre num clube da Yakuza parece ter sido levado a cabo por este último devido à presença de balas de titânio no local do crime, o tipo exclusivo de balas que Rogue utiliza e que é considerada a assinatura pessoal. A peça que não encaixa no puzzle é o facto de ter morto elementos da Yakuza quando deveria estar a trabalhar para esta organização, sendo levantada a hipótese de estar agora a mando da Triade.

Dá-se início a uma guerra sangrenta entre as duas facções mafiosas em plenas ruas de San Francisco, sendo Rogue o epicentro das várias movimentações de bastidores que estão na base destes confrontos. Entretanto, todas as pessoas associadas de alguma forma a Rogue (um fabricante de balas e dois cirurgiões plásticos responsáveis pela sua reconstrução facial com uma periodicidade de 6 meses) começam a aparecer mortas, o que leva Jack a estar mais determinado do que nunca em capturar o mítico assassino. Para isso, lidera uma equipa de agentes com o objectivo de pôr um fim à existência de Rogue e, se possível, abrandar a expansão das duas organizações mafiosas envolvidas. No entanto, nem todos os intervenientes nesta situação são aquilo que aparentam e muitas surpresas estão reservadas.

"War" é a primeira experiência de Philip G. Atwell na realização de longas metragens e dos argumentistas Lee Anthony Smith e Gregory J. Bradley. A inexperiência destes estreantes transparece claramente no decurso do filme. Penso que o elenco foi consistente quanto baste e ajudou a disfarçar um pouco as várias lacunas da estória. Todavia, tenho que referir os sucessivos plot twists incorporados na fase final do filme. É sempre uma jogada perigosa, dada a consistência que se exige para que este género de construção num argumento resulte em pleno. Desta feita, pareceu-me desnecessário e mal conseguido. As cenas de acção foram relativamente bem coordenadas e encenadas, embora o seu encadeamento seja discutível no sentido de aumentar a tensão para a parte final da estória onde são feitas as já referidas revelações. Eu diria mesmo que a inclusão de algumas delas chega a ser discutível e em nada contribui para o desenrolar da estória, mas como se trata de um filme de acção...

No que diz respeito ao elenco, refiro as duas personagens principais cujo desempenho esteve a cargo de Jason Statham (Jack Crawford) e Jet Li (Rogue), dois actores com um vasto currículo em filmes de acção e que provaram novamente que são muito consistentes no que fazem, tanto na vertente artística como na vertente mais física. São dois homens em excelente forma física que gostam de correr riscos nas cenas que em participam. Num plano um pouco mais secundário, faço também uma referência a dois papéis muito bem entregues a Luis Guzmán (Benny), um agente da Interpol infiltrado no submundo do crime que fornece a Jack informações relativas a Rogue, e Ryo Ishibashi (Shiro Yanagawa), o chefe máximo da Yakuza. O primeiro é um actor versátil que se destaca pela sua capacidade de levar a cabo papéis muito diferentes de uma forma deveras particular, enquanto que o segundo é um veterano do cinema asiático que desempenha o principal papel num dos meus filmes de terror favoritos, "Ôdishon".

O filme fornece ao espectador alguns bons momentos de acção (tiros, pancadaria e perseguições) e mantém um ritmo aceitável, apesar de algumas lacunas na construção da estória e no desenvolvimento das principais personagens. Ajudado por algumas actuações consistentes no contexto do filme que se trata, é uma boa forma de ocupar algum período morto que possa surgir na agenda pessoal.

Hi... I'm a cop. What happened here? Know what I do when I'm not a cop? I play doctor. If I don't get this shrapnel out... it will get infected. I got it. No, it's a bone. Sorry. You want me to go back to my day job... give me something to do!

Pontuação global: 5,7

12 May 2008

(2007) Hitman


Um grupo conhecido apenas como The Organization tem como único objectivo o treino e condicionamento de assassinos profissionais. Não existem provas da sua existência dado todo o secretismo em seu torno, embora haja indícios de ligações com a maioria dos governos mundiais. Os futuros assassinos são seleccionados logo à nascença, com bebés rejeitados e órfãos a serem privilegiados devido ao seu estatuto de indesejados pela sociedade e "descartáveis". Tornam-se especialistas em todos os aspectos da arte de combater e apenas são programados para uma tarefa: matar.

O Inspector Mike Whittier e o adjunto Jenkins, agentes da Interpol, perseguem um indivíduo que crêem ser responsável por centenas de assassinatos profissionais um pouco por todo o mundo. Considerado como o melhor assassino formado pela The Organization, o Agente 47 aceita a tarefa de matar Mikhail Belicoff, o actual presidente da Rússia. Uma súbita mudança na sua orientação política, com uma consequente aproximação ao Ocidente, é do total desagrado de um cliente anónimo que afirma controlar o governo russo e receia perder essa posição face às acções de Belicoff.

Cumprindo a sua missão, o Agente 47 vê-se subitamente no meio de uma conspiração política que o torna num alvo a abater perante o seu envolvimento directo na morte de Belicoff. Uma jovem prostituta chamada Nika Boronina, que é propriedade de Belicoff, é apontada como uma suposta testemunha dos actos do Agente 47 e torna-se um peão no jogo político que se desenrola. Perseguido pela Interpol, pela FSP (polícia secreta russa) e por assassinos da sua organização, o Agente 47 acaba por assumir a responsabilidade pessoal de zelar pelo bem estar de Nika e executa um plano para descobrir a verdade por detrás de Belicoff, o epicentro de toda a conspiração.

"Hitman" é a mais recente adaptação de um jogo de computador ao grande ecrã, tendo sido levada a cabo por Xavier Gens. Esta é apenas a sua segunda longa-metragem, com a sua estreia a ter sido através do interessante Frontière(s). O seu trabalho enquanto realizador é aceitável, com uma ou outra sequência de acção (pequeno destaque para a batalha na estação de comboios) a ser bem conseguida. No entanto, permitiu a inclusão de cenas demasiado artificiais ao nível das actuações dos seus intervenientes. A tecnologia actual permite fazer mais que um take, segundo ouvi dizer... O argumento é fraco e embora haja a tentação em afirmar que não se podia esperar muito mais da adaptação de um jogo cujo objectivo é matar pessoas, a verdade é que a estória original tem alguns elementos interessantes que foram completamente descartados. Creio que se tivessem sido minimamente desenvolvidos e introduzidos no argumento, poderiam ter dado um toque de consistência e um outro ambiente ao filme.

O desempenho global do elenco esteve abaixo de aceitável. Timothy Olyphant (Agente 47) não foi capaz de transmitir na totalidade a aura da personagem que os fãs dos jogos esperavam. A responsabilidade terá que ser repartida entre uma aparente má escolha para o papel e um mau argumento que terá levado Timothy a seguir uma abordagem errada à personagem. Olga Kurylenko (Nika Boronina) não parece ter sido capaz de cumprir aquilo que o seu papel requeria. Uma mulher capturada por um assassino profissional dificilmente se comportaria de uma forma tão alegre e aberta. Dougray Scott (Mike Whittier) pareceu-me ter-se esforçado em demasia para dar um aspecto sério à sua personagem.

O filme pode ser abordado de duas perpectivas: quando comparado com o jogo no qual se baseia e enquanto filme por si só. No que diz respeito ao primeiro ponto, a opinião generalizada parece ser a de os únicos elementos em comum com o jogo serem o nome e o facto de a personagem principal ser um homem careca com um código de barras tatuado na nuca. Um claro desvio na forma de ser da personagem é o principal foco de afastamento entre o jogo e o filme.

Quanto ao segundo ponto, um nível insatisfatório de violência e um ritmo demasiado inconstante para um filme que se diz ser de acção, aliado a um argumento incoerente e desconexo, tornam "Hitman" em mais uma prova que a transição com sucesso do mundo dos jogos de vídeo para o cinema é uma tarefa muito complexa. Tem algum valor em termos de entretenimento, mas pouco mais que isso.

Because that suitcase perfectly holds my Blazer Sniper Rifle, two .45s and a gag for irritating, talkative little girls like yourself. You want me to stop and get it out?

Pontuação global: 5,2

26 April 2008

(2006) Nightmare Man


Ellen e o seu marido William estão com dificuldades em ter um filho devido a "complicações íntimas". Disposta a tudo, Ellen encomenda uma máscara de fertilidade africana que marca o início de uma fase conturbada da sua vida. Após a recepção deste objecto em sua casa, Ellen é atacada por um monstro que usa a máscara e ao qual apelida de Nightmare Man. William mostra-se relutante em acreditar na sua esposa e leva-a a uma consulta psiquiátrica com um Dr. Evans. Em virtude do resultado da avaliação que lhe é feita e de um estado de paranóia em recta ascendente, é tomada a decisão de que Ellen deve passar um período de tempo numa instituição psiquiátrica para que o seu problema possa ser analisado com cuidado, permitindo também que descanse ao afastar-se dos seus problemas matrimoniais.

A caminho da instituição, o carro onde Ellen e William viajam fica sem combustível. Após uma breve discussão, William desloca-se a pé até à estação de serviço mais próxima enquanto Ellen aguarda o seu regresso no carro. Ao escurecer, o misterioso Nightmare Man ataca novamente Ellen e dá-se início a algo que aparentava ter pretensões de ser uma perseguição, decorrendo no interior de um dos bosques que rodeiam a estrada. Após vários confrontos físicos com o demónio misterioso, Ellen chega a uma casa de campo onde dois jovens casais (Mia/Ed e Trinity/Jack) se encontram a passar o fim-de-semana com o intuito de comemorar o noivado do segundo casal referido.

Após ser acolhida pelos hóspedes da casa, Ellen conta a sua estória e apesar de possuir provas físicas do que afirma, o seu comportamento instável produz um clima de desconfiança generalizado e Jack decide contactar William por telemóvel. Este refere o estado psiquiátrico da sua esposa e lança o aviso para que tenham cuidado ao lidar com ela, prometendo chegar à casa o mais rapidamente possível. No entanto, as pessoas que se encontram reunidas na casa começam a ser mortas pelo Nightmare Man, não restando quaisquer dúvidas acerca da sua existência. Após a chegada de William à casa, muitas revelações são feitas. Será o assassino um mero homem? Estará Ellen possuída por um espírito demoníaco que se encontrava enclausurado na máscara de fertilidade africana?

"Nightmare Man" é mais uma entrada no já vasto e pouco ortodoxo currículo de Rolfe Kanefsky enquanto realizador e argumentista, cuja temática recorrente envolve uma mistura bizarra entre terror e sexo. Embora estejamos perante um filme de baixo orçamento, a verdade é que esta questão não pode ser constantemente utilizada como uma desculpa para estórias fracas e sem nexo, diálogos puramente cheesy e maus desempenhos do elenco. As principais personagens da estória são protagonizadas por Hanna Putnam (Trinity), Blythe Metz (Ellen), Tiffany Shepis (Mia), Luciano Szafir (William), James Ferris (Jack) e Jack Sway (Ed). Como nota, as cenas de tits'n'ass estiveram a cargo das jovens Tiffany Shepis e Blythe Metz.

Um filme a evitar, dado que não é sequer capaz de produzir um único susto que seja. Estória ridícula, personagens ridículas... Até o pai da filha da Xuxa (Luciano Szafir) entra no filme, caramba! Será mesmo necessário dizer mais? Um completo aborrecimento que me levou a cumprir novamente a regra de desperdício de 85 minutos de vida.

Fuckin' A! About time somebody clocked that crazy bitch!

Pontuação global: 3,5

18 April 2008

(2006) The Abandoned


Marie Jones é uma produtora de cinema que foi adoptada quando era bebé. Após muitos anos de tentativas infrutíferas de obtenção de informações acerca dos seus pais biológicos, é contactada por um investigador russo chamado Andrei Misharin que afirma ter em sua posse a certidão de óbito e outra documentação relativa à sua mãe, Olga Kaidavosky. Perante isto, Marie decide embarcar numa viagem ao seu país de origem, a Rússia. Durante o encontro com Misharin, é-lhe dito que herdou uma propriedade da família Kaidavosky, não havendo qualquer indicação da identidade e paradeiro do seu pai ou a existência de irmãos, irmãs ou outros familiares próximos.

Reluctantemente, Marie acede a deslocar-se à quinta que se encontra num local geograficamente remoto e que é uma pequena ilha rodeada por um curso de água. É levada até lá por Anatoliy, um homem mal encarado e reservado, mas que aparenta saber algo acerca da família Kaidavosky. Ao final de um longo dia de viagem numa camioneta velha, atingem finalmente a entrada da quinta, na qual Marie se vê subitamente abandonada por Anatoliy que desaparece no interior de um bosque sob o pretexto de se certificar da segurança do trilho até à casa. Após um curto, mas assustador percurso pelo meio do dito bosque em plena noite, Marie entra na casa e depara-se com uma aparição fantasmagórica de si própria, colocando-se de imediato em fuga. Ao abandonar a casa descuidadamente, acaba por cair ao curso de água que rodeia a quinta.

A sua salvação surge sob a forma de Nicolai, um homem que também se encontrava na casa e que se apresenta como o seu irmão gémeo. Ambos vão partilhando várias informações que foram recolhendo ao longo de período de procura pelos seus pais e apercebem-se que as aparições que assombram a casa são os seus dopplegangers, ou seja, as personificações da forma como estão destinados a morrer. Com o passar do tempo, Marie e Nicolai são confrontados com situações que os leva a temer o pior para o seu futuro imediato, pois descobrem o segredo da sua família e vêem ser-lhes revelado o motivo pelo qual se encontram naquele local e quem os conduziu até lá.

"The Abandoned" é um produto da cada vez mais prolífica indústria de horror espanhola, que principalmente nos últimos 15 anos nos tem brindado com excelentes filmes, muitos deles a marcarem o início de carreiras internacionais. A realização esteve a cargo de Nacho Cerdà, um homem já conhecido no circuito de curtas-metragens espanholas pelo seu conteúdo algo perturbador e bem conseguido, tendo estado inclusivamente nomeado para um prémio Goya no ano de 1999. Este filme marca a sua estreia na direcção de longas metragens, ficando marcada por pontos positivos e negativos.

O argumento é bastante disconexo, não sendo fornecidas quaisquer justificações para certos eventos e o caminho percorrido até à sua ocorrência. O final torna-se facilmente antecipável pouco depois de se atingir o meio do filme, bastando para isso estar um pouco atento a algumas pistas discretamente apresentadas. O ponto forte deste filme é a sua cinematografia, que ajuda a transmitir uma sensação de abandono e inevitabilidade que se adequa muito bem à premissa da estória. O recurso a cores esbatidas permite a caracterização da paisagem florestal envolvente como um ambiente simultaneamente pacífico e agressivo. Quanto ao elenco, uma curta referência apenas para as duas personagens principais da estória, protagonizadas por Anastasia Hille (Marie) e Karel Roden (Nicolai), que desempenharam relativamente bem os seus papéis.

Como conclusão, é um filme que vale principalmente pelo ambiente negro que proporciona e por alguns (mas não muitos) bons momentos nos quais intervêm as já referidas aparições. Embora seja um pouco aborrecido, senti-me relativamente entretido e creio assim que os fãs do género não se sentirão totalmente defraudados, podendo reter algo de positivo do filme. Uma referência final ao facto de a página do IMDb deste filme conter um spoiler crucial para se poder antecipar o twist no final da estória.

Pontuação global: 4,7

12 April 2008

(2006) Dark Ride


Em 1989, no Asbury Park de New Jersey, duas gémeas adolescentes são brutalmente assassinadas no interior de uma atracção de terror chamada Dark Ride. Após uma busca intensa, o homicida, conhecido apenas como Jonah, é apreendido pela polícia local e são descobertos os corpos de 14 outras vítimas. As provas concludentes levam a que, no final do seu julgamento, seja condenado a 16 sentenças de prisão perpétua a serem cumpridas numa instituição psiquiátrica (Bayshore Mental Institution). Devido aos trágicos acontecimentos verificados, o concelho local decide encerrar o Dark Ride.

Após um período de 10 anos de cativeiro, Jonah consegue escapar da instituição psiquiátrica e regressa ao parque temático onde cometeu os brutais assassínios que resultaram na sua condenação, coincidindo com a reabertura do Dark Ride ao público. Entretanto, aproxima-se o início do período de férias de primavera das universidades locais e, cerca de duas semanas antes da fuga de Jonah, um grupo de amigos, composto por Cathy, Bill, Steve, Jim e Liz, decide passar uns dias na renovada costa marítima de New Jersey.

Após acederem a dar boleia a uma bela estranha chamada Jen, uma aposta entre Bill e Liz leva a que o grupo se dirija a Asbury Park para lá passarem a noite, aproveitando o facto de o parque estar ainda a 3 dias da sua reinauguração e poupando também o dinheiro que iriam gastar em alojamento antes de chegarem ao seu destino de férias. Sem darem por isso (e como seria de esperar), tornam-se nos novos alvos de Jonah, que tenciona voltar a matar no seu próprio território após um longo interregno, recriando as situações encenadas ao longo do percurso interior do Dark Ride.

"Dark Ride" foi realizado por Craig Singer, um realizador com um pequeno e nada animador currículo que teve neste filme uma criação para esquecer, com a agravante de também ter participado no papel de co-argumentista. Quanto ao elenco, o seu desempenho foi mau, não tendo este sido minimamente capaz de transmitir uma sensação de autenticidade. Os elementos centrais do enredo são Jamie-Lynn Sigler (Cathy), Patrick Renna (Bill), David Clayton Rogers (Steve), Alex Solowitz (Jim), Andrea Bogart (Jen) e Jennifer Tisdale (Liz). Em jeito de nota, a habitual cena de topless nestas circunstâncias esteve a cargo da jovem Andrea Bogart.

O argumento é relativamente decente, mas longe de ser consistente. Os guardas do hospital psiquiátrico retratados são exageradamente provocadores e ridículos, a ausência de sustentação do passado de Jonah e o seu tempo de antena mal organizado, o ritmo titubiante da estória, com imensos momentos de puro aborrecimento intercalados com poucas ocasiões de gore e slashing... Deve também ser referida a péssima cinematografia, marcada por uma iluminação desastrosa que consegue estragar muitos dos supostos melhores momentos do filme e dificultar globalmente o seu visionamento.

Perante uma irritante incapacidade de assustar ou de sequer induzir uma pequena aceleração no ritmo cardíaco, este filme é apenas mais um exemplo de como é possível manchar a imagem dos clássicos B movies. Um festival de aborrecimento que me levou a olhar inúmeras vezes para o relógio na expectativa de que terminasse rapidamente. Fui capaz de aguentar até ao fim, tendo mantido intacta a regra de desperdício de 85 minutos de vida.

Pontuação global: 3,7

30 March 2008

(2007) I Am Omega


Richard acredita ser o último homem vivo à face da Terra, dado que a restante população do planeta é um exército de zombies que este combate dentro das suas possibilidades. A situação de isolamento em que se encontra associado às memórias dolorosas da morte da sua mulher e filho às mãos de zombies, o constante estado de alerta em que vive e a utilização abusiva de comprimidos (não sendo referido, parecem ser anti-depressivos e para indução de sono) começam a afectá-lo profundamente, dando-se a ocorrência de alucinações. No decurso do dia, explora o território em redor da sua casa, resgatando combustível para o seu carro e mantimentos de vários tipos, como roupa e comida.

Inesperadamente, e quando se encontrava em frente ao seu MacBook Pro (dado o baixíssimo orçamento do filme, calculo que este pequeno product placement tenha sido suficiente para pagar toda a produção) a consultar cartas geográficas, recebe um pedido de comunicação por vídeo. Após vários dias de hesitação perante os repetidos pedidos de ligação, Richard decide finalmente aceitá-lo e constata que do outro lado se encontra uma mulher chamada Brianna. Esta encontrava-se numa caravana que foi atacada por zombies e que se dirigia para um local nas montanhas onde estaria sediada uma comunidade composta por milhares de humanos não infectados. Estando sozinha e rodeada de zombies, Brianna pede a Richard que a salve.

Embora recusando inicialmente este pedido, Richard acaba por ser persuadido à força por dois soldados chamados Vincent e Mike, que supostamente fazem parte de um grupo militar proveniente da tal comunidade refugiada nas montanhas. Estes afirmam que Brianna possui no seu sangue a cura para a infecção que assola o planeta. No decurso do salvamento que, como seria de esperar, se transforma rapidamente numa tarefa de proporções herculianas, ocorrem várias surpresas que irão alterar drasticamente a vida de Richard.

"I Am Omega" é um filme de baixo orçamento cuja estória se baseia distantemente no excelente clássico de Richard Matheson, "I Am Legend". Apesar de simples e directo, o argumento apresenta-se sob uma forma algo disconexa, os desempenhos dos actores são maus e até os próprios zombies não se encontravam no pico da sua forma física. Os papéis principais pertencem a Mark Dacascos (Richard) e Jennifer Lee Wiggins (Brianna), que deram sempre a impressão de quererem despachar a gravação das suas cenas o mais rapidamente possível para poderem retomar as suas respectivas vidas, deixando para trás esta má experiência cinematográfica.

Suspeitando à partida que o filme deixaria algo a desejar em termos de qualidade, optei todavia por o ver devido ao seu contexto zombie. Mas nem esta questão me permite afirmar que o filme tenha servido como um pequeno entretenimento numa tarde de Domingo. De um ponto de vista pragmático, digamos apenas que foram 85 minutos da minha vida que não poderei reaver.

Pontuação global: 3,6

29 March 2008

(2007) Lake Dead


Três irmãs (Brielle, Kelli e Sam) são informadas da morte de um avô que pensavam ter falecido antes dos seus próprios nascimentos. Esta notícia é transmitida pelo seu pai John, um alcoólico que mantém uma relação distante com as próprias filhas. Perante a informação adicional de que herdaram o motel que era gerido pelo avô, as três irmãs decidem ir ao funeral e, de seguida, ver o real valor da suposta propriedade para que possam tomar uma decisão relativamente ao seu futuro. Sam decide não comparecer ao funeral para não ter que enfrentar o seu pai, preferindo seguir directamente para o motel.

No entanto, Brielle e Kelli prestam as suas homenagens ao seu avô e censuram John por lhes ter mentido ao afirmar que os seus avós já haviam falecido quando estas eram apenas miúdas. John retalia ao afirmar que o avô era uma pessoa maléfica, dando também um aviso algo assustador no sentido de não se aproximarem da propriedade em questão. Aproveitando a situação para passar um fim-de-semana fora, organizando para o efeito uma pequena road trip, forma-se um pequeno grupo composto por Brielle e o seu namorado Ben, Kelli e a sua amiga Tanya, e Bill e Amy, um casal amigo.

A partir deste ponto, eu poderia fazer um esforço para manter algum suspense relativamente aos acontecimentos que se desenrolam em "Lake Dead", mas não o vou fazer. Dada a fraca qualidade do filme, passarei a explicar sucintamente todo o enredo. A restante família das três irmãs continua a residir no motel, sendo ela composta pela avô Gloria, o tio Chuck e dois jovens desfigurados. Numa tentativa de manter a linhagem da família, este conjunto de pessoas pretende usar Brielle e Kelli para prolongar a pureza do sangue da família. Sim, estamos perante mais um caso de redneck inbreeding. Posso também adiantar que Sam é adoptada, sendo por isso eliminada praticamente no início do filme, pois o seu sangue é considerado impuro.

O argumento é globalmente mau, tendo sido redigido com base em referências baratas a outros filmes do género e estando repleto de cheesy one liners. Embora o elenco seja simplesmente mau, numa tentativa de se manter fiel às regras dos verdadeiros B movies, este encontra-se repleto de jovens atraentes e prontas a tornarem-se no alvo preferencial de psicopatas sedentos de sangue, nomeadamente Kelsey Crane (Brielle), Kelsey Wedeen (Kelli), Tara Gerard (Sam), Vanessa Viola (Amy) e Malea Richardson (Tanya).

Não posso sequer afirmar que o filme tenha sido divertido, pois considero as cenas mais sangrentas mal concebidas e executadas. De facto, trata-se de um filme bastante mau que tolerei dada a minha paixão pessoal por filmes de horror. No entanto, apenas o aconselho a pessoas que ou tenham um diploma que comprove a posse de uma paciência de santo ou que estejam dispostas a desperdiçar cerca de 85 minutos das suas vidas.

Pontuação global: 3,5

03 February 2008

(2007) AVPR: Aliens vs Predator - Requiem


Três anos após os seu predecessor surge Alien vs Predador 2, que volta a brindar o público com mais um confronto entre duas das mais temidas criaturas do mundo do cinema.

A estória de AVP2 começa no final do primeiro filme, com um alien a nascer do corpo do predador que conseguiu escapar à alien queen do primeiro filme. O nascimento do alien causa o caos na nave dos predadores e faz com que esta se despenhe na Terra (que conveniente).

A premissa parecia interessante pois prometia ser aquilo que o primeiro não foi, ou seja, uma luta entre aliens e predadores com os humanos apanhados no meio. De facto, a estória deste filme consegue recriar bem o ambiente dos filmes “Alien” e com um sucesso moderado, o ambiente dos filmes “Predador”. Mas embora os ambientes tenham sido recriados com sucesso, não conseguem contrabalançar a evidente fraca qualidade do argumento, muito devido às inúmeras sequências de cenas fracamente interligadas, que dão a sensação que a estória do filme é forçada.

O guião também é caracterizado pelo elevado número de clichés, fazendo com que o filme seja previsível. Fica também a sensação que em algumas cenas, o comportamento das criaturas foi ajustado ao filme e não o contrário. (Como é que os aliens conseguem fazer uma emboscada aos militares que são enviados para a cidade e não fazem o mesmo a um grupo de civis?)

De um modo geral este filme não convence, e provavelmente só irá agradar aos fans mais fieis de ambos os filmes. Não fosse a qualidade e quantidade dos efeitos especiais bem como estarmos perante “Aliens” e “Predadores” e estaríamos perante um filme de séria B. Felizmente que este não termina a pedir uma sequela.


Pontuação global: 5

(2007) Saw IV


A autópsia ao corpo de John Kramer, mais conhecido como o bizarro serial killer Jigsaw, revela uma cassete no interior do seu estômago. Nesta, o Detective Hoffman é avisado por Jigsaw que, apesar da sua morte, os seus jogos continuarão e o próprio Detective não escapará a uma prova que testará a sua vontade de viver.

Rigg, o comandante do esquadrão SWAT, vive atormentado com a ausência de informação acerca do paradeiro e estado de saúde dos detectives Allison Kerry e Eric Mathews, ambos desaparecidos sem qualquer rasto. Quando finalmente encontram o corpo mutilado da Detective Kerry, surgem fortes indícios de que Amanda Young não seria a única cúmplice de Jigsaw, devido à disposição do cadáver de Kerry. Neste momento, entram em cena dois agentes especiais do FBI (Strahm e Perez), cujo contacto no departamento da polícia era precisamente a Detective Kerry, tendo sido enviados para descobrir quem é o novo misterioso participante nos jogos doentios de Jigsaw.

Dada a sua amizade pessoal com os Detectives Kerry e Mathews, Rigg encontra-se emocionalmento instável e é dispensado por Hoffman para poder repousar. Quando regressa a casa, a sua esposa, cansada da falta de disponibilidade física e emocional do seu marido, opta por uma separação temporária. Nesse mesmo dia, e quando nada o faria prever, Rigg torna-se subitamente no principal peão do novo jogo de Jigsaw. O objectivo que lhe é proposto consiste em ultrapassar um conjunto de tarefas sórdidas no espaço de 90 minutos para que possa salvar as vidas de ambos os Detectives Mathews e Hoffman, que se encontram captivos num local que Rigg terá que descobrir.

Entretanto, os agentes Strahm e Perez coleccionam pistas que lhes permitam descobrir não só o desaparecido Detective Mathews, mas também o recentemente desaparecido Rigg, que se apresenta como o principal suspeito a ocupar a vaga do misterioso seguidor de Jigsaw. Jill Kramer, a ex-mulher de John, desempenha também um papel importantíssimo neste processo, preenchendo diversos espaços em branco no passado de John que possibilitam avanços na investigação. A compreensão das verdadeiras motivações de Jigsaw adquire uma dimensão inegável no decurso da descoberta da localização exacta dos agentes desaparecidos, mas também trará novidades adicionais que não eram previstas inicialmente.

Darren Lynn Bousman regressa como o realizador de "Saw IV", a nova etapa de uma das mais bem sucedidas franchises da história do cinema de terror. Darren voltou a fazer um bom trabalho e manteve com sucesso o ambiente negro e inquietante dos anteriores filmes, recorrendo a uma cinematografia baseada em ambientes escuros e criteriosamente iluminados.

Relativamente aos actores, Tobin Bell (John Kramer/Jigsaw) volta a ser o ponto alto do elenco. Desta feita, o seu tempo antena incide principalmente na caracterização da sua personagem no período de tempo que antece o início da sua actividade no papel de Jigsaw. Um homem talentoso e afectuoso transforma-se num monstro devido à sua revolta pessoal perante o estado actual da sociedade em que se encontra inserido e dos elementos que a constituem. Esta transição é muito bem conseguida por Tobin e este assume-se novamente como o pilar desta saga.

Do restante elenco, destacam-se as actuações relativamente sóbrias e bem conseguidas de Scott Patterson (Strahm) e Lyriq Bent (Rigg). Estes retratam respectivamente um homem motivado e desejoso de descobrir a verdade dos factos por detrás de uma série macabra e brutal de assassínios, e de um homem subitamente inserido num dos jogos de Jigsaw que procura não só a salvação de um amigo pessoal, mas também a sua própria salvação. O ponto negativo fica reservado para Costas Mandylor (Hoffman), que apresenta uma capacidade de expressão emocional praticamente nula, empobrecendo assim todas as cenas em que participa.

Esta sequela faz um imenso esforço para se manter consistente com os imensos enredos provenientes dos filmes anteriores. Eu diria que se apresenta como uma espécie de argamassa que tenta preencher buracos que existam em toda a estória. É também feita a junção de diversas linhas temporais através de um processo que esclarece os pontos chave da estória, mas que poderá confundir os espectadores mais desatentos e menos recordados dos acontecimentos herdados dos filmes anteriores.

Embora este filme seja inferior aos seus antecessores, a franchise em si aparenta ter um balão de oxigénio razoavelmente carregado para sobreviver a mais uma etapa, que deverá estrear já no final do presente ano de 2008.

You think you will walk away untested? I promise that my work will continue. That I have ensured. By hearing this tape some will assume that this is over. But I am still among you. You think it's over just because I'm dead? It's not over. The games have just begun.

Pontuação global: 6,8

13 January 2008

(2007) Ghost Rider


O jovem Johny Blaze e o seu pai, Barton Blaze, são os protagonistas de um espectáculo de acrobacias com motas numa feira ambulante. Quando Johny decide abandonar a sua actual vida profissional para fugir com Roxanne Simpson, a filha de um dos trabalhadores da feira pela qual está loucamente apaixonado, descobre surpreendentemente que o seu pai padece de um cancro em fase terminal. Não querendo abandoná-lo, Johny desiste do seu plano de fuga, mas subitamente é visitado por Mephistopheles, que lhe propõe um simples negócio: a restituição da saúde do seu pai em troca da sua alma.

Johny aceita o acordo e vê-se então livre para retomar o seu plano de fugir com Roxanne. No entanto, durante uma actuação rotineira, o seu pai morre em consequência de um "trágico" acidente. Perante a traição de Mephistopheles, que havia garantido o bem estar do seu pai, decide abandonar a feira ambulante, os seus amigos e a própria Roxanne, afastando-se de tudo o que esteja relacionado com o seu pai. Vários anos mais tarde, Johny é considerado um dos melhores motociclistas do mundo devido às suas perigosas acrobacias e à sua tendência para resistir a acidentes que certamente levariam à morte de qualquer outro ser humano.

No dia em que Johny se prepara para a acrobacia mais arriscada da sua carreira, é confrontado com uma agora adulta Roxanne, que trabalha para uma cadeia de televisão como jornalista. Para além do reencontro com o amor da sua vida, Johny recebe uma nova visita de Mephistopheles, que coloca na mesa um novo negócio: a sua alma ser-lhe-á devolvida caso aceite tornar-se no Ghost Rider (um agente sobrenatural cuja missão é reclamar as almas de seres impuros) e eliminar Blackheart, o próprio filho de Mephistopheles que pretende encontrar um antigo contrato que lhe permitirá possuir mil almas e transformar a terra num literal inferno, destronando o seu pai. Para atingir o seu objectivo, Johny conta com a ajuda de Caretaker, um misterioso homem que trabalha num cemitério e que, para além de não ser aquilo que aparenta, possui um conhecimento profundo de toda a situação na qual Johny se encontra envolvido.

"Ghost Rider" é a segunda experiência do realizador Mark Steven Johnson no mundo das adaptações de comics, logo após o péssimo "Daredevil". Não tendo aprendido a sua lição com este último filme, voltou a cometer os mesmos erros que já haviam humilhado um dos mais conhecidos heróis da Marvel: um argumento repleto de falhas de continuidade, diálogos fraquíssimos, actores mal escolhidos para determinados papéis... Uma lista repleta de fortes indicadores para a possibilidade de o seu futuro nesta carreira não se avizinhar muito promissor. A solução passa inevitavelmente pela sua capacidade de aprender com os seus erros e de se afastar deste género de filmes, tendo já demonstrado inequivocamente que não tem capacidade para os coordenar e dirigir.

Os desempenhos do elenco foram globalmente maus, tendo alguns atingido picos de uma ridicularidade impressionante para um filme do qual se esperaria um padrão mínimo de qualidade. Nicolas Cage (Johny Blaze/Ghost Rider) parece estar apostado a participar apenas em maus filmes nestes últimos anos. É verdadeiramente lamentável que um actor do seu inegável calibre se digne a colaborar em filmes como este, independentemente de o ter feito ou não por puro gozo e diversão. Este filme é um daqueles pontos negros que nenhum actor ou actriz deve ter no currículo.

Quanto ao resto do elenco, Eva Mendes (Roxanne Simpson) mantém a táctica usual de disfarçar a sua gritante falta de talento com uma aparência claramente acima da média. Wes Bentley (Blackheart) foi exagerado e ridículo na sua caracterização do maléfico filho do Diabo que se revolta contra o próprio pai e o tenta destruir, enquanto que Peter Fonda (Mephistopheles), uma referência do cinema, terá sido completamente desaproveitado com uma personagem algo apática. A única nota positiva pertence a Sam Elliott (Caretaker), um bom actor que possui uma vasta experiência e, acima de tudo, é extremamente consistente nos seus desempenhos. Cumpriu muito bem o seu papel e assentou que nem uma luva na personagem que retratou.

Em suma, este filme apenas deve ser visto caso não exista qualquer outra opção disponível. Relativamente aos fãs hardcore dos livros de comics, o visionamento do filme torna-se assim proibitivo, existindo o sério risco de uma revolta popular e a consequente organização de uma caça "à moda antiga" aos responsáveis pela sua exibição.

He may have my soul, but he doesn't have my spirit.

Pontuação global: 4,5

11 November 2007

(2001) Not Another Teen Movie


A acção decorre no John Hughes High School, onde os estudantes que o frequentam podem facilmente ser catalogados de acordo com os estereótipos adolescentes há muito existentes na sociedade escolar juvenil. Jake, o rapaz mais famoso do liceu e membro da sua equipa de futebol americano, é desafiado a entrar numa aposta por Austin, um arrogante quarterback da equipa de futebol com uma tendência irritante de criar alcunhas comicamente estéreis para as pessoas em seu redor.

A aposta consiste em transformar Janey, o "patinho feio" da estória (a típica rapariga linda sem meios financeiros e sem amigos que tem um ar demasiado geeky para que alguém repare nela e que a exclui dos meios sociais mais elevados do liceu), na raínha do baile de finalistas. Jake enfrenta vários obstáculos na sua tentativa de vencer a aposta, com destaque para a sua irmã Catherine, a rapariga mais cruel do liceu, e Priscilla, a cínica e irritante líder das cheerleaders que transita de namorada para ex-namorada de Jake na fase inicial do filme. Outro obstáculo é obviamente o facto de Jake começar a apaixonar-se por Janey durante a execução do seu plano.

Muitas outras personagens são retratadas no filme:
  • Sadie, a jornalista infiltrada no liceu, mas que tem uma idade um pouco acima do que seria de esperar;

  • Mitch, Ox e Bruce, os amigos que procuram incessantemente perder a virgindade, aproveitando para espiar as meramente casuais cenas de sexo lésbico que ocorrem nos balneários das raparigas após as aulas de educação física;

  • Areola, a estudante estrangeira sem nacionalidade definida e que percorre os corredores do liceu completamente nua;

  • Malik, o jovem negro cuja missão é única e exclusivamente proferir as falas tipicamente atribuídas a um negro em pontos cruciais da estória: Damn!, Shit! e That is wack!;

  • Amanda, a rapariga perfeita que é o ponto de origem de um desejo ardente por parte de Mitch, um dos membros do trio de amigos já referido;

  • o treinador da equipa de futebol americano que introduz em quase todas as suas frases a expressão God damnit!;

  • Ricky, o melhor amigo de Janey e que tem uma obsessão por esta última que lhe permite ser classificado como um stalker a dar os seus primeiros passos nessa nobre arte;

  • Sandy Sue, a mais recente aquisição da equipa de cheerleads que padece do síndroma de Tourette.

"Not Another Teen Movie" foi realizado por Joel Gallen, um produtor e realizador cuja única experiência fora do âmbito da televisão foi precisamente este filme. Observando o seu currículo, constata-se que as suas associações televisivas centram-se em torno da MTV, mas a verdade é que fez um bom trabalho neste caso particular. Como todos os filmes deste género, existem excelente momentos cómicos no seu decorrer, assim como péssimas tentativas de piadas que falham por completo os seus respectivos objectivos.

Apreciei bastante que tenha apostado em spoofs de filmes dos anos 80 ("The Breakfast Club", "Risky Business" e "Sixteen Candles", entre outros), criando uma mistura bastante agradável com as referências a filmes mais recentes ("American Pie", "American Beauty", "Cruel Intentions", etc.). Foram também introduzidos elementos que são premissas obrigatórias em filmes deste género, como tits 'n' ass, piadas de cariz escatológico e aquele que, na minha opinião pessoal, é um dos beijos mais nojentos da história do cinema. Simplesmente nojento!

Relativamente ao elenco, deixo referências para Chris Evans (Jake), a atraente Chyler Leigh (Janey) e o meu exemplar favorito de white trailer trash, a bela Jaime Pressly (Priscilla), que acabam por ser as figuras principais do filme e cumprem os seus papéis sem quaisquer apontamentos negativos. Existem outros destaques, mas ao nível de pura estimulação visual: Joanna Garcia (Sandy Sue), Lacey Chabert (Amanda), Mia Kirshner (Catherine) e Cerina Vincent (Areola). Uma referência também a algumas aparições especiais por parte de Molly Ringwald, Melissa Joan Hart e Laurence Tureaud (a.k.a, Mr. T).

É um filme que proporciona bons momentos de comédia nonsense, sobretudo se o espectador estiver na disposição de se divertir. Caso consiga identificar as referências aos filmes mais antigos, penso que poderá inclusivamente disfrutar ainda mais das respectivas piadas.

Give me a W!
Give me a Y!
Give me a... Lick my pussy ass cock shit!


Pontuação global: 5,2

04 November 2007

(2006) Skinwalkers


No início de Skinwalkers, é-nos apresentada a definição da expressão de origem Navajo "Yee nadlooshi" (Skinwalkers), referindo-se a seres humanos que, através do consumo de sangue de outros humanos, adquiriram poderes sobrenaturais. Estes poderes são considerados uma benção por alguns e uma maldição por outros. Em virtude desta divisão moral, decorre uma guerra entre duas facções de lobisomens, em que uma delas pretende pôr um fim à maldição, o que permitirá a todos os lobisomens levarem uma vida como seres humanos normais. A restante facção não pretende abdicar dos seus poderes e fará tudo o que estiver ao seu alcance para que se mantenha o status quo.

De acordo com uma antiga profecia índia, o fim da existência destes seres será originado por um rapaz de sangue misto (meio humano, meio lobisomem) que, sob uma lua vermelha e ao atingir os 13 anos de idade, se irá transformar e colocar um ponto final na maldição que assola os lobisomens. Esse rapaz é Timothy, um jovem que vive com a sua mãe humana e um conjunto de supostos familiares que, na verdade, são elementos da facção "boa" de lobisomens cuja função é proteger o rapaz com as suas próprias vidas até ao dia em que este possa finalmente cumprir a profecia. No entanto, a facção maléfica monta uma perseguição sangrenta e implacável a Timothy, tendo os seus elementos a perfeita consciência de que apenas a morte do rapaz poderá garantir a manutenção dos seus poderes.

A realização esteve a cargo de James Isaac. Uma breve observação da sua carreira é suficiente para que se possa discernir o tipo de projectos de baixa qualidade em que se envolve como realizador e produtor. Não querendo concerteza destoar do que tinha vindo a fazer até ao momento, enveredou então por este filme. Gostaria de fazer uma breve referência à audácia deste homem em afirmar que David Cronenberg é o seu ídolo e mentor. Se assim é, por favor, não envergonhes mais um dos maiores ícones vivos do cinema de terror. Relativamente ao elenco, não faço qualquer tipo de referência, pois esteve globalmente mal. Os efeitos especiais são dos poucos pontos positivos do filme. É altamente provável que este tenha sido o único aspecto em que Isaac conseguiu aprender algo com Cronenberg.

Por vezes questiono-me se será assim tão complicado criar um filme com cerca de 90 minutos de duração e cujo objectivo principal seja única e exclusivamente entreter uma audiência. Infelizmente, este filme é uma prova inequívoca de que o próprio conceito desta tarefa é algo transcendente para certas pessoas que trabalham no ramo do cinema. Em suma, um desperdício de tempo.

Pontuação global: 3,8

17 October 2007

(2006) Snakes On a Plane


Daniel Hayes, o procurador da cidade de Los Angeles, é brutalmente assassinado quando se encontra de férias no Hawaii. O responsável pela sua morte é Eddie Kim, um mafioso asiático que estava a ser ferozmente perseguido por Hayes e decidiu tomar medidas drásticas para impedir que a justiça seguisse o seu curso. O que não estava nos planos de Kim era que Sean Jones, um jovem surfista, assistisse ao assassínio de Hayes enquanto praticava motocross junto ao local do crime. Sean vê-se então perseguido pelos capangas de Kim, mas quando estes se preparam para o silenciar permanentemente, são impedidos de o fazer pelo agente Neville Flynn do FBI.

Após salvar a vida de Sean, Flynn convence-o a testemunhar contra Kim num tribunal de Los Angeles. O passo seguinte consiste em transportar Sean em segurança até aos E.U.A., sendo tomada a decisão de viajar num comum vôo comercial (South Pacific Air Flight 121). Os informadores de Kim descobrem os planos supostamente secretos de Flynn e colocam a bordo do avião um leque interminável de cobras e serpentes venenosas, cuja agressividade é estimulada com a utilização de feromonas. O objectivo passa por fazer com que o avião de despenhe no decurso da sua viagem para Los Angeles.

"Snakes On a Plane" mantém um padrão comum a filmes cujo núcleo da estória se desenrola a bordo de um avião, que consiste em nos apresentar personagens diversificadas (as atraentes assistentes de bordo, o piloto mulherengo, uma estrela de rap, o casal de jovens brincalhões, etc.). Os desempenhos dos actores foram aceitáveis, embora alguns se tenham esmerado para mostrar inequivocamente que estão na profissão errada. O lado positivo é que foi possível observar algumas "carinhas larocas", como Julianna Margulies, Rachel Blanchard, Sunny Mabrey e Elsa Pataky.

Como não poderia deixar de ser, a excepção que confirmou a regra ao nível das actuações foi o enorme Samuel L. Jackson (Neville Flynn). Um grande actor que dispensa qualquer tipo de apresentação e que, por norma, consegue erguer-se acima de qualquer falha na qualidade dos filmes em que entra.

A realização esteve a cargo de David R. Ellis, um profissional da Sétima Arte cuja longa carreira compreende um extenso currículo como duplo, coordenador de duplos, e assistente de realizador. No entanto, e enquanto realizador principal, apenas trabalhou em quatro filmes no espaço de 10 anos, estando assim a dar os seus primeiros passos nesta profissão. Infelizmente, parece estar mais inclinado para filmes divertidos, ao invés de apostar no aprofundamento das suas capacidade como realizador através de filmes mais sérios.

Este filme não é mais nem menos do que puro entretenimento. Os seus defeitos, embora sendo em demasia, encontram-se sob a alçada de uma tremenda atenuante, que é a de o filme não se levar ele próprio a sério. Isto contribui para que se torne ainda mais divertido.

Enough is enough! I have had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane!

Pontuação global: 5,7

13 October 2007

(2006) Pulse


Josh, um jovem hacker universitário, consegue entrar no computador de Douglas Zieglar, um outro hacker que se encontra a desenvolver um novo tipo de sinal de comunicação poderosíssimo que consegue estabelecer uma ligação com outro mundo. Não tendo qualquer noção do que este sinal é capaz, Josh rouba o respectivo código e utiliza-o, abrindo inadvertidamente um portal para esse novo mundo. Os seus habitantes, ao aperceberem-se da existência desta ligação, começam a utilizar as redes de comunicação implantadas na nossa sociedade para invadir o mundo que conhecemos.

Mattie é uma estudante de psicologia cuja relação com Josh passa por uma fase complicada. Após assistir ao suicídio de Josh, o mundo de Mattie entra numa espiral de morte e destruição, ocorrendo uma epidemia de suicídos causada por estes novos seres, cujo objectivo é absorver o desejo de viver dos humanos. Com o mundo moderno a entrar em colapso total, a única esperança reside num vírus que Josh estava a desenvolver para encerrar a tão temida ligação, cabendo a Mattie e Dexter, um mecânico que compra o PC de Josh após o seu suicídio, a tarefa de o tentar utilizar e salvar a Humanidade.

"Pulse" é um remake de "Kairo" e foi realizado por Jim Sonzero, sobre o qual não existe muita informação disponível, havendo apenas a indicação de outro filme a seu cargo ("War Of The Angels"). Embora tenha conseguido criar um ambiente muito bem contextualizado com a estória (acima de tudo, a filmagem de cenas em locais sem grande iluminação e a utilização maioritária de tons de cinzento), um elenco pautado por más actuações e um argumento muito fraco levam a que as personagens sejam incapazes de cativar o espectador, gerando um sentimento de indiferença ao que lhes sucede no desenrolar da estória. Felizmente, pude observar Kristen Bell (Mattie), tendo esta servido como uma espécie de distracção da má qualidade do filme.

Aproveito para deixar aqui um Shame on you! para Wes Craven, um ícone do cinema de terror que foi o autor de filmes low budget que marcaram uma era deste género, como "The Last House On The Left", "The Hills Have Eyes" e o fantástico "A Nightmare On Elm Street", que nos trouxe uma das personagens mais perturbadoras do cinema, o mítico Freddy Krueger. No entanto, nos últimos anos tem insistido em escrever péssimos argumentos e realizar filmes nada condizentes com o seu legado.

Diria que se trata de um daqueles filmes em que se torce pelos "maus da fita" para que tudo possa terminar o mais rapidamente possível. Apenas deve ser visto pelos curiosos e apreciadores do género, para quais parecerá, todavia, uma perda de tempo.

They want what they don't have anymore. They want life.

Pontuação global: 4,1

07 October 2007

(2000) The Irrefutable Truth About Demons


Harry Ballard é um antropologista que, paralelamente à sua carreira, investiga seitas e cultos religiosas ligadas ao ocultismo, escrevendo livros e artigos que as denunciam como instituições fraudulentas que se aproveitam de pessoas inseguras e emocionalmente debilitadas. A sua determinação na denúncia destes cultos acentuou-se a partir do momento em que o seu irmão, Richard Ballard, se suicidou após ter abandonado uma seita ligada ao ocultismo, magia negra e adoração de demónios.

A sua vida altera-se drasticamente no dia em que recebe no seu gabinete uma misteriosa cassete de vídeo no interior de um envelope com sangue, contendo esta uma gravação de Le Valliant, o líder de uma seita ligada ao oculto denominada Black Lodge. No decurso da gravação, Le Valliant dirige-se aos seus discípulos, incitando-os para a necessidade de perseguir e esclarecer Ballard acerca das supostas mentiras que publicou em livros seus relativamente à existência de demónios e de almas nos seres humanos.

Vendo-se subitamente envolvido numa série de acontecimentos que o deixam afectado física e psicologicamente, a sua única esperança de esclarecer tudo o que lhe está a acontecer acaba por residir numa peculiar jovem chamada Bennie, que não é aquilo que aparenta ser.

"The Irrefutable Truth About Demons" foi a primeira longa-metragem de Glenn Standring, o principal responsável por "Perfect Creature", no qual participou como realizador e argumentista. Neste caso, o argumento foi também ele escrito pelo próprio Standring e conta uma estória interessante quanto baste para nos manter interessados no seu desenvolvimento no decurso do filme. O final poderá parecer algo confuso, mas encaixa bastante bem no tom geral do filme e faz algum sentido, tendo em conta a informação que vai sendo revelada ao longo da estória.

O único elemento do elenco que destaco é Karl Urban (Harry Ballard), a figura principal da estória. Urban tem um desempenho razoável e consegue trazer alguma credibilidade à personagem, embora vacile com facilidade em momentos de maior intensidade emocional. É um actor com um percurso algo discreto e quase sempre associado a filmes de ficção científica e de acção, embora nunca tenha tido a oportunidade de desempenhar um papel verdadeiramente forte. Fico à espera que possa demonstrar o seu talento no futuro próximo.

Este filme é um bom b-movie dentro do estilo a que as produções de baixo custo provenientes da Austrália e da Nova Zelândia já nos habituaram no passado. O processo completo de produção do filme durou apenas seis semanas, o que traz ainda mais valor ao produto final, sendo bastante satisfatório e cumprindo o seu objectivo de entreter um espectador durante cerca de 90 minutos.

Hope can be dangerous.

Pontuação global: 4,7

06 October 2007

(2007) Flight Of The Living Dead


Um normal vôo comercial entre Los Angeles e Paris transporta um contentor especial no seu porão. O Dr. Leo Bennett, o encarregado do contentor e procurado pelo governo americano, mantém no interior do contentor o corpo inanimado da Dra. Kelly Thorp, uma colega de trabalho que foi deliberadamente infectada com um vírus modificado geneticamente cujo modus operandi consiste em provocar a morte de um organismo biológico, procedendo de seguida à restauração do seu funcionamento por um período de tempo indeterminado.

Quando o avião atravessa uma tempestade violenta, a instabilidade advinda das condições atmosféricas leva à abertura do contentor, libertando a Dra. Thorp que se transforma num zombie após ser alvejada e morta pelo guarda destacado para vigiar o contentor. A propagação da infecção pelos passageiros do vôo tem assim início, desenrolando-se uma luta pela sobrevivência num espaço fechado e sem qualquer saída.

Flight Of The Living Dead contém personagens para todos os gostos, como uma freira, as hospedeiras (peço perdão, assistentes de bordo) tipicamente atraentes, o piloto à beira da reforma, o cientista sem princípios, os casais de jovens atrevidos e brincalhões, um craque do golf, um scam artist a ser acompanhado por um agente da polícia, etc. Esta diversidade aparenta ter sido resultante de uma tentativa de mostrar quais seriam as reacções de indivíduos com diferentes backgrounds à situação com que são confrontados nesta estória.

Scott Thomas é o realizador de serviço, cujo discreto percurso faz com que este filme seja, muito provavelmente, o segundo melhor da sua carreira, com o primeiro lugar a ser ocupado por Anacardium, vencedor do prémio de melhor longa-metragem do conhecido New York International Independent Film & Video Festival em 2002. Dado que o nível das actuações variou entre o mau e o bastante aceitável, nenhum dos actores merece qualquer destaque especial, à excepção de Kristen Kerr, uma das hospedeiras de serviço (confesso que não pelo nível da sua actuação, mas pela sua aparência física).

Como conclusão, afirmo sem grandes reservas que é um bom filme de zombies. Os fãs do género não ficarão desiludidos e não darão por perdidos os cerca de 90 minutos de duração do filme. Uma boa forma de descrever este filme seria afirmando que se trata de divertimento puro e sem complicações associadas.

You thought it was me gnawing on the passengers?
Nah, I'm a vegetarian.


Pontuação global: 5,0