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23 August 2007

(2007) Ratatouille



De cada vez que os estúdios Pixar lançam um novo filme, penso que talvez seja esse que me irá desiludir. E de cada vez, a Pixar mantém um nível de excelência que, a meu ver, os torna num dos melhores estúdios da actualidade.

Ratatouille conta a estória de Remy, um rato que tem um olfacto e paladar mais refinados do que é típico naquela espécie. Inspirado pelo famoso chef Gusteau, Remy deseja ser cozinheiro. No entanto, como seria de esperar, este sonho é difícil de realizar, pois ratos não são uma presença aceite em cozinhas.

Brad Bird volta como argumentista e realizador, tal como fez em The Incredibles. O argumento é o típico de filmes da Pixar, abordando temas como a auto-ajuda, o seguir dos sonhos, o valor da amizade, a importância da família, etc. Sim, nada de novo, mas é muito bem conseguido.

As vozes estão bem conseguidas. Gostei especialmente da do crítico de gastronomia Anton Ego (cuja voz é dada pelo venerável Peter O'Toole). Aliás, achei a personagem em si uma das mais interessantes, bem conseguidas e surpreendentes de todo filme.

Tecnicamente, o filme cumpre as espectativas. A animação mantém a qualidade a que a Pixar já nos habituou. No final dos credits afirmam, com orgulho, "100% computer animation, no motion capture involved". As expressões faciais e os gestos das personagens são deliciosos.

Digno de nota é Lifted, o short da Pixar que, mantendo a tradição, é mostrado antes do filme. Uma ideia simples e divertida que funciona muito bem.

Espero agora ansiosamente pelo próximo filme da Pixar, Wall-E, agendado para 2008. Deram-nos um curto teaser antes do filme começar, mas já foi o suficiente para eu começar a pensar se será desta que vou ficar desiludido... Espero que não.

Pontuação global: 8,7

Anyone can cook!

02 December 2007

Anton Ego


Será Anton Ego a melhor personagem do filme "Ratatouille" e, quem sabe, deste ano cinematográfico? O Jsilva não abordou esta questão aquando da publicação da sua review para evitar possíveis spoilers, mas a verdade é que ambos ficámos agradavelmente surpreendidos por os autores da estória terem tomado um rumo delicioso com a personagem, evitando os clichés mais fáceis.

Anton Ego, cuja voz foi fornecida pelo soberbo Peter O' Toole, é o crítico culinário mais poderoso de Paris, podendo criar ou destruir a reputação de restaurantes, e os respectivos chefes de cozinha, com um simples artigo redigido de uma forma simultaneamente eloquente e venenosa. Conhecido como "The Grim Eater", Ego é portador de uma aparência extremamente desagradável que incute puro medo nos corações dos mais competentes e bem sucedidos cozinheiros.

Esta personagem acabou por se revelar emocionalmente complexa, sendo apresentada à audiência por intermédio de um processo de caracterização simplesmente brilhante. A cena do regresso à infância constitui um genuíno momento de movie magic. É poderosíssima e o monólogo proferido por Anton é fantástico:

In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face is that, in the grand scheme of things, the average piece of junk is more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new. Last night, I experienced something new, an extraordinary meal from a singularly unexpected source. To say that both the meal and its maker have challenged my preconceptions is a gross understatement. They have rocked me to my core. In the past, I have made no secret of my disdain for Chef Gusteau's famous motto: Anyone can cook. But I realize that only now do I truly understand what he meant. Not everyone can become a great artist, but a great artist can come from anywhere. It is difficult to imagine more humble origins than those of the genius now cooking at Gusteau's, who is, in this critic's opinion, nothing less than the finest chef in France. I will be returning to Gusteau's soon, hungry for more.